O triste fim de uma rede gigante de eletrodomésticos, que faliu e foi comprada pelo Ponto Frio; Relembre sua história e os impactos do seu fim

Quem viveu em Curitiba e no interior do Paraná entre as décadas de 70 e 90 certamente se lembra do movimento intenso nas calçadas e dos jingles marcantes que vinham de uma das esquinas mais tradicionais da capital, mais precisamente de uma grande rede de eletrodomésticos chamada Disapel.

Continua depois da publicidade

Inclusive, comprar uma televisão nova ou o primeiro fogão automático ali era quase um ritual de consumo para as famílias paranaenses, que depositavam ali sua total confiança.

No entanto, o mercado varejista brasileiro é conhecido por sua volatilidade, e, mesmo sendo tão consolidada, a Disapel não ficou imune a reviravoltas dramáticas, e o sumiço repentino dessa gigante deixou milhares de clientes órfãos e reconfigurou o comércio de eletrodomésticos no Sul do país.

Continua depois da publicidade

Após quase 40 anos, a Disapel viu seu império desmoronar na virada do milênio, abrindo espaço para que marcas concorrentes herdassem seu território de forma estratégica.

Continua depois da publicidade
Lojas Disapel foi um grande sucesso no setor de eletrodomésticos (Foto: Reprodução/YouTube)
Lojas Disapel foi um grande sucesso no setor de eletrodomésticos (Foto: Reprodução/YouTube)

Abaixo, com base em dados históricos e registros jurídicos expostos no portal Wiki, relembramos a trajetória de sucesso, os bastidores que levaram ao colapso da Disapel e os impactos profundos que seu fim causou na região.

O nascimento de uma potência regional:

A trajetória da Disapel (Distribuidora de Aparelhos Eletrodomésticos Ltda.) começou oficialmente em 25 de setembro de 1964, na cidade de Curitiba, pelas mãos do empresário Mário Turkiewicz.

Continua depois da publicidade

O ponto de partida foi uma pequena loja localizada na Praça Santos Andrade, bem ao lado da Universidade Federal do Paraná (UFPR).

O endereço estratégico marcou o início de uma jornada de rápido crescimento.

A empresa logo ganhou notoriedade no mercado devido à qualidade de seus produtos e ao excelente padrão de atendimento ao cliente.

Continua depois da publicidade

Na década de 70, com o famoso slogan “a parada do eletrodoméstico”, a marca já havia se tornado um sinônimo de confiança na região, conquistando o prêmio Top of Mind no Paraná.

A expansão acelerada transformou a rede em uma grande empregadora e na principal parceira de marcas gigantes da época, como Philips, Monark e Sundown.

Uma liderança visionária

A rede atingiu novos patamares de mercado quando o comando passou para as mãos de Paulo Turkiewicz, filho do fundador Mário.

Com um perfil empreendedor altamente inovador, Paulo destacou-se pela habilidade em expandir as fronteiras da rede e firmar parcerias estratégicas globais.

Por conta disso, ele foi reconhecido oficialmente como o “Empresário do Ano” em 1994 no Paraná.

Sob a sua liderança, a Disapel se consolidou como a maior revendedora de grandes marcas industriais no Brasil.

Mas o sucesso ultrapassou as fronteiras nacionais:

  • Em 1992, durante um evento corporativo realizado em Paris, Paulo Turkiewicz foi destacado como um dos dez maiores revendedores da Philips em todo o mundo;
  • Durante a era de ouro, nos anos 90, a empresa alcançou a marca histórica de mais de 100 lojas em operação, mais precisamente 110 lojas, e registrava um faturamento superior a US$ 500 milhões por ano, consolidando-se como um dos maiores pilares da economia local do Sul do país.

O decreto de falência

Apesar do desempenho comercial impressionante e do faturamento bilionário na conversão da moeda, a saúde financeira da Disapel começou a se deteriorar de forma severa na virada do milênio.

O colapso da gigante do varejo surpreendeu o mercado e foi motivado por uma série de fatores internos e externos que sufocaram o caixa da empresa:

  • Dificuldades de gestão: A rede enfrentou sérios problemas para adaptar sua estrutura administrativa e seus custos ao novo cenário econômico do país;
  • Endividamento crescente: O alto custo de captação de recursos nos bancos para manter a operação gerou uma bola de neve financeira insustentável;
  • Mudanças no mercado: O aumento agressivo da concorrência e a consolidação de novos modelos de negócio sufocaram as margens de lucro.

O auge da crise financeira ocorreu em junho de 2000, quando a falência da Disapel foi formalmente decretada pela Justiça.

Na data do fechamento, a empresa ainda operava com apenas 81 lojas ativas espalhadas pelo Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, deixando um vazio imediato no comércio regional.

O que aconteceu com o que sobrou da Disapel?

Com a falência formalizada e as atividades encerradas, o patrimônio da Disapel precisou ser liquidado para levantar recursos e quitar as pendências com os credores e ex-funcionários.

Os pontos comerciais e os ativos da empresa foram levados a leilão judicial.

Nesse cenário de disputa de mercado, a maior rival direta da Disapel, a rede Ponto Frio (que atualmente utiliza apenas a marca Ponto), realizou um movimento de mestre.

O Ponto Frio arrematou as unidades da empresa paranaense pelo valor de R$ 12,1 milhões na moeda da época.

rede de eletrodoméstico Ponto Frio (Foto: Reprodução / Internet)
Rede da Ponto Frio, atual Ponto, ficou com o que restou da Disapel (Foto: Reprodução / Internet)

A partir da compra, a gigante rival absorveu gradualmente as lojas da Disapel, expandindo sua própria participação geográfica na Região Sul.

Vale destacar que, ao procurar manifestações sobre o ocorrido pelos responsáveis, as mesmas não foram localizadas, no entanto o espaço segue em aberto. Mas, para saber mais casos como esse, clique aqui*.