13º salário: Como CLTs podem aumentar valor do abono em 2026?

13º salário ganha reforço em 2026 e trabalhadores CLT descobrem maneiras legais de aumentar o valor do abono anual; Confira como

17/06/2026 às 00:00 · Tempo de leitura: 7 minutos

Notas de real e ilustração 13º salário (Fotos: Canva)

13º salário ganha reforço em 2026 e trabalhadores CLT descobrem maneiras legais de aumentar o valor do abono anual

Trabalhadores com carteira assinada já começam a fazer contas sobre o valor que poderão receber no fim do ano. Em 2026, uma dúvida continua aparecendo entre muitos empregados: existe alguma forma legal de aumentar o valor do 13º salário? A resposta é sim.

Em diversas situações, o trabalhador pode receber um valor maior do que o salário mensal registrado na carteira. Isso acontece porque a legislação trabalhista determina que algumas verbas pagas ao longo do ano também entrem no cálculo da gratificação natalina, nome oficial do benefício criado pela Lei nº 4.090, de 1962. Entre essas verbas estão as horas extras realizadas de forma habitual.

Ilustração 13º salário (Foto: Montagem TV Foco / GMN)

Muita gente acredita que o cálculo considera apenas o salário fixo recebido em dezembro. Na prática, a conta funciona de maneira mais ampla. Quando o trabalhador realiza horas extras com frequência durante o ano, esses valores passam a integrar sua remuneração média e refletem diretamente no valor do 13º salário. Isso significa que quem trabalhou além da jornada normal em diversos meses pode receber um abono mais alto no fim do ano.

A regra existe para garantir que o pagamento represente a remuneração real do empregado e não apenas o salário-base registrado no contrato de trabalho. Por isso, entender como as horas extras entram nessa conta pode ajudar o trabalhador a conferir se o valor recebido está correto.

Antes de avançar, vale explicar o que são horas extras. A Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) considera hora extra todo período trabalhado além da jornada contratada. Na maioria dos casos, a jornada padrão é de oito horas por dia e 44 horas por semana.

Quando o empregado ultrapassa esse limite, a empresa deve pagar um adicional de, no mínimo, 50% sobre o valor da hora normal. Em domingos e feriados, dependendo da situação e da convenção coletiva da categoria, esse percentual pode ser ainda maior.

A legislação também determina que as horas extras habituais integrem diversas verbas trabalhistas. Entre elas estão férias, Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e o próprio 13º salário. O entendimento já foi consolidado pela Justiça do Trabalho e segue sendo aplicado nos cálculos realizados pelas empresas.

Como usar as horas extras para aumento do 13º?

O cálculo não utiliza simplesmente a soma de todas as horas extras realizadas durante o ano. O empregador precisa apurar a média dos valores pagos a esse título ao longo dos meses trabalhados. Depois, essa média é adicionada ao salário-base para formar a remuneração que servirá de referência para o pagamento do benefício.

Imagine um trabalhador que recebe salário mensal de R$ 2.500. Durante o ano, ele realizou horas extras de forma frequente e recebeu, em média, R$ 300 mensais por esse trabalho adicional. Nesse caso, a base considerada para o cálculo não será apenas R$ 2.500. A empresa deverá somar os R$ 300 da média de horas extras, chegando a R$ 2.800. Dessa forma, o valor do 13º salário ficará maior do que o salário registrado na carteira.

Outro ponto importante envolve a habitualidade. Nem toda hora extra aumenta automaticamente o benefício. A regra costuma valer para horas extras prestadas de forma constante ao longo do período.

Quando o trabalhador realiza apenas algumas horas esporádicas durante o ano, sem frequência regular, o impacto pode ser diferente. Por isso, especialistas recomendam que o empregado acompanhe seus contracheques e verifique se os valores aparecem corretamente registrados.

O que acontece quando a empresa paga o benefício em duas parcelas?

A primeira parcela normalmente corresponde a metade do valor estimado até aquele momento. Já a segunda parcela pode sofrer ajustes caso novas horas extras sejam registradas nos últimos meses do ano. Isso significa que a média utilizada no cálculo pode aumentar e elevar o valor final pago ao trabalhador. Além disso, é na segunda parcela que costumam ocorrer descontos obrigatórios, como contribuição previdenciária e Imposto de Renda, quando houver incidência.

Ilustração 13º salário (Foto: Montagem TV Foco / GMN)

Outro detalhe importante envolve o Descanso Semanal Remunerado, conhecido pela sigla DSR. Trata-se do pagamento referente aos dias de descanso do trabalhador, geralmente aos domingos e feriados. Quando as horas extras são realizadas de forma habitual, elas também podem gerar reflexos sobre o DSR. Posteriormente, esses reflexos podem influenciar outras verbas trabalhistas, incluindo o 13º salário. Embora o cálculo seja mais técnico, essa regra busca garantir que toda a remuneração habitual seja considerada nos direitos do empregado.

Para quem deseja aumentar legalmente o valor do benefício em 2026, não existe fórmula secreta. O crescimento ocorre de maneira natural quando a remuneração aumenta ao longo do ano. Isso pode acontecer por meio de reajustes salariais, comissões, adicionais previstos em lei e horas extras realizadas dentro das regras trabalhistas. O trabalhador não precisa solicitar essa inclusão, pois a empresa já deve realizar o cálculo corretamente.

Por isso, acompanhar os contracheques durante o ano continua sendo a melhor forma de evitar surpresas. Quem realiza horas extras com frequência deve observar se os pagamentos aparecem registrados e se a empresa utiliza esses valores na composição da remuneração. Caso exista alguma divergência, o empregado pode buscar esclarecimentos junto ao setor de recursos humanos.

No fim das contas, o 13º salário não depende apenas do salário fixo. As horas extras habituais podem aumentar significativamente o valor recebido, especialmente para trabalhadores que frequentemente estendem sua jornada.

Conhecer essa regra permite conferir os cálculos com mais segurança e garantir que todos os direitos previstos na legislação sejam respeitados. Em 2026, quem acumulou horas extras de forma regular poderá perceber esse reflexo diretamente no valor do benefício pago no fim do ano.

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