224 lojas lacradas: A falência de rede de supermercados nº1 do RJ com 22 mil demissões

Uma das maiores redes de supermercados do Rio de Janeiro chegou à falência, fechou 224 lojas e demitiu de cerca de 22 mil funcionários

04/02/2026 às 20:17 · Tempo de leitura: 6 minutos

Ilustrações falência e supermercado (Fotos: Canva)

Uma das maiores redes de supermercados do Rio de Janeiro chegou à falência, fechou 224 lojas e demitiu de cerca de 22 mil funcionários

A falência de uma das maiores redes de supermercados do Rio de Janeiro mudou a rotina de milhares de famílias de forma repentina. O fechamento em massa das lojas deixou bairros inteiros sem seu principal ponto de compras e tirou o sustento de quem dependia desses empregos.

Ao todo, 224 lojas foram lacradas e mais de 22 mil funcionários acabaram demitidos. De acordo com as informações divulgadas pela Wikipédia, o impacto foi imediato, tanto para os trabalhadores quanto para os consumidores que já eram fiéis consumidores da rede.

Estamos falando da rede de supermercados Casas da Banha. A empresa nasceu em 1955, no Rio de Janeiro, criada pelo empresário Climério Veloso. E com o passar dos anos, o nome ganhou força e virou referência no varejo, principalmente nas décadas de 1970 e 1980.

Durante a fase de crescimento, a empresa comprou redes concorrentes como Ideal e Merci. Essa expansão fez o grupo chegar a 224 lojas espalhadas por sete estados e também no Distrito Federal. No auge, o faturamento anual passava de 700 milhões de dólares e contava com 22 mil funcionários.

Crescimento da rede de supermercados

A Casas da Banha não era conhecida só pelos preços e pelas lojas cheias. A marca também marcou época na cultura popular brasileira. Um dos exemplos mais lembrados foi o patrocínio do programa Discoteca do Chacrinha. No palco, o apresentador jogava produtos da rede para a plateia.

Além disso, a empresa chegou a ser citada em músicas conhecidas, como em na canção “Tu És o MDC da Minha Vida”, de Raul Seixas, o que reforçou sua presença no imaginário popular. Porém, o mercado começou a mudar e a rede de supermercados não acompanhou o movimento.

Crise e declínio

De acordo com a fonte, os problemas começaram a aparecer em 1986, com os planos econômicos Cruzado I e Cruzado II. O congelamento de preços pegou a rede em cheio, já que muitos produtos eram vendidos em promoção e tiveram seus valores travados por quase um ano.

Com isso, os prejuízos cresceram rapidamente. A situação ficou ainda pior após o Plano Collor, que atingiu diretamente o caixa da empresa e dificultou o pagamento de dívidas. Em 1991, a Casas da Banha já não conseguia manter a estrutura que tinha.

O número de funcionários caiu de forma drástica, passando para cerca de 9 mil trabalhadores. No ano seguinte, 149 lojas acabaram sendo vendidas ou repassadas a antigos donos como forma de quitar dívidas. Outras 75 unidades ficaram fechadas, aguardando acordos que nunca avançaram.

Em 1993, a empresa enfrentava cerca de 9 mil processos trabalhistas. Parte deles foi resolvida com o pagamento de indenizações, que somaram aproximadamente R$ 23 milhões até o fim da década. Mesmo assim, as dívidas continuaram crescendo e a situação se tornou insustentável.

Falência decretada

A falência da Casas da Banha acabou sendo decretada oficialmente em 28 de abril de 1999, pela 2ª Vara de Falências e Concordatas. A decisão veio após a própria empresa admitir que não tinha mais condições de pagar o que devia.

Na época, o passivo trabalhista estava estimado em cerca de 5 milhões de dólares. As lojas acabaram sendo lacradas e os credores tiveram prazo para apresentar seus pedidos, marcando o fim definitivo de uma rede que fez parte da história do comércio no Rio de Janeiro.

Qual a diferença entre falência e recuperação judicial?

Conforme o portal ‘Vem Pra Dome’, ambos os institutos visam a satisfação de dívidas de uma empresa. Contudo, a principal diferença está na continuidade ou não do empreendimento. No caso da recuperação judicial, se ganha tempo para recuperar a capacidade de gerar resultados na empresa.

Por outro lado, na falência, não existe a reestruturação e o negócio acaba fechando as portas. A recuperação judicial visa manter o negócio ativo, gerando empregos e possibilitando que a empresa pague as suas dívidas. Na outra, ocorre o encerramento, sendo considerado irrecuperável.

Por fim, veja também mais matérias sobre falência clicando aqui.

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