Depois da tempestade não veio a bonança

26/02/2011 às 16:49 · Tempo de leitura: 3 minutos

 

Você  que está em SP ou outros grandes lugares do Brasil, talvez não conheça a revolução provocada pela Record aqui no sul. Onde antes tínhamos duas emissoras mortas, a Guaíba e a Rede Mulher, agora existem novos equipamentos, estúdios reformulados, transmissores potentes. No caso da R Mulher, foi substituída pela Record News, programação ainda não reconhecida no Brasil mas tremendamente superior à insignificante rede anterior.

Não paramos aqui, onde transmitiam duas rádios travadas nos anos 60, novos equipamentos, equipes técnicas e jornalistas estão à se esforçar para conquistar seu espaço na região. Você quer mais? Vamos lá! Tínhamos um jornal morno, o Correio do Povo, quase sem cor e praticamente sem vida. Com a Record atualmente temos todas as fotos coloridas, novos analistas, design moderno.

E estas não foram as únicas revoluções, a TV Record forçou a Globo local em direção a novos caminhos, novas experiências, mais oxigenação. A concorrência da Record no sul acelerou as mentes globais. Onde antes só tínhamos mato e formigas, agora temos o esforço de quem quer ganhar seu espaço.

Permitam-me somente mais este parágrafo, pois agora tenho que analisar o lado negativo disso tudo. Vindo pra cá, a Record deve ter notado o quanto a boa cultura jornalística estava enraizada na RBS ( Globo ). Durante dois anos tentou entrar no mercado com programas adequados, selecionados. Perdeu feio. Não tinha como alcançar o padrão e o costume do gaúcho em  assistir a RBS. Teve, infelizmente, que descambar para o mundo cão. Seus jornalísticos vivem mostrando a miséria, os assassinatos, a polícia. A audiência veio, por vezes derrubou a concorrente. Esta, obrigatoriamente, partiu para o mesmo mundo. Eles tentam disfarçar, mas também entraram nos vilarejos e expuseram a pobreza de forma sensacionalista.  A Record não teve culpa, mas forçou o mercado jornalístico à explorar o caminho da desgraça alheia em substituição do jornalismo sério, caso contrário teria sido expulsa do sul como ocorreu com a rede de lojas das Casas Bahia.

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