Assaí e Atacadão abalados e fim de atividades: A cerveja que você amava beber acaba engolida pela Heineken

Heineken comprou marca queridinha em cervejas após crise (Foto Reprodução/Lennita/Tv Foco/Heineken/Canva/Atacadão/Assaí)
Cerveja consumida por milhares de brasileiros acabou sendo adquirida pela Heineken após enfrentar crise de mercado e notícia deixou milhares de consumidores sem chão
A cerveja é uma das bebidas mais antigas do mundo, inclusive os primeiros registros de sua fabricação tem cerca de 6 mil anos. Fora isso, ela é considerada uma das mais amadas entre brasileiros …
Seja para um Happy Hour pós expediente de uma sexta feira ou naquele churrasco de fim de semana com os amigos, ela está sempre ali marcando presença e agradando até mesmo os paladares mais refinados.
Só para ter uma breve noção, de acordo com um levantamento feito pelo portal Folha Pê, ainda em 2023, foi comprovado que o Brasil é o 3º país que mais consome cerveja no mundo. Segundo os dados, o país é responsável por 7% do consumo mundial, perdendo apenas para a China (27%) e Estados Unidos (13%).
Dentre tantas marcas no mercado, sempre existem aquelas que são vistas como mais populares e amadas dos mercados. Porém, no ano de 2017, uma movimentação envolvendo uma desses nomes deixou milhares de consumidores em choque.
Isso porque a Heineken, uma das maiores referências em cerveja, decidiu comprar a Brasil Kirin, após uma severa crise no setor.
Para quem não sabe a Brasil Kirin é fruto de uma fusão da antiga empresa brasileira Schincariol, com a japonesa Kirin Holdings Company, surgida pela primeira vez em 1939.
Acordo de bilhões!
Segundo o portal Poder 360, no dia 13 de fevereiro de 2017, a Heineken anunciou o acordo fechado garantindo a compra da marca, o que levou a holandesa para outro patamar.
Ainda de acordo com o portal, o valor da transação custou aos cofres da Heineken o valor de € 664 milhões, o que equivale a aproximadamente R$ 2,2 bilhões.
Vale dizer que essa transação impactou não apenas o consumidor final como abalou os mercados como Assaí, Atacadão. Afinal de contas, quando uma marca adquire outra, uma série de mudanças são executadas em meio a integração das mesmas.
Com essa compra, a Heineken se tornou a 2ª maior empresa de cerveja do país, ficando atrás apenas da Ambev, braço da AB InBev, a líder mundial de produção.
Vale mencionar que entre os produtos do portfólio estavam as cervejas Schin e Devassa, uma das mais populares dos supermercados da época. A Brasil Kirin operava em 12 fábricas com rede de vendas e de distribuição própria de produtos.
De acordo com declarações feitas pela própria Heineken na época, a transação transformaria a sua expansão no Brasil. Segundo a Forbes, a Kirin afirmou na ocasião que assumiria a fatia de 51% em uma empresa de cervejas de Mianmar.
O grupo japonês ainda encerrou as negociações com a Coca-Cola, embora as duas empresas permaneciam discutindo uma potencial parceria operacional. A aprovação da Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) ocorreu em março de 2017.
De acordo com o Diário do Comércio, a Superintendência do Cade entendeu que a operação não apresentava uma concentração maior do que 20% no mercado nacional nem maior do que 50% nos regionais. Por isso, não geraria preocupações concorrenciais.
Um pedido de socorro …
Segundo o portal Forbes, a venda foi necessária, pois a Brasil Kirin estava em momento de forte crise e não estava conseguindo reverter a situação, o que simbolizou verdadeiro pedido de socorro …
A Kirin declarou na época que os riscos brasileiros e o competitivo e estagnado segmento de cervejas e refrigerantes no país eram “limitações” para tornar a Brasil Kirin rentável.
De acordo com a empresa, a unidade brasileira “teve prejuízo operacional de R$ 284 milhões só no ano de 2016, o que deixou o fim das suas produções” ainda mais inadiáveis.
Fora isso, no ano da compra, em 2017, a economia brasileira parecia propensa a entrar no terceiro ano de recessão, mas a Heineken considerava o mercado de cervejas atrativo no longo prazo, com o segmento premium crescendo cada vez mais rápido.
Vida após a compra …
De acordo com o portal Abra Latas, após a compra da Brasil Kirin, a Heineken ampliou seu portfólio e, de fato, a expansão idealizada ocorreu, visto que ela passou a dominar 20% do mercado brasileiro.
Mas conforme dito acima, a liderança permanecia com a Ambev (Brahma, Skol, Antarctica, Stella Artois, Budweiser, Bohemia, Quilmes, Caracu), com 63% do mercado.
Ainda em outubro do ano de 2017, meses após a compra, em uma entrevista concedida ao Jornal O Estado de São Paulo, o ex presidente da Heineken Brasil, Didier Debrosse, deixou claro que o país é prioridade para a cervejaria holandesa e que tornaria o maior mercado global da empresa.
Didier Debrosse também deixou claras três linhas de atuação da nova Heineken:
- Atuação em estados com estímulo fiscal;
- Aposta em regiões de baixo consumo per capita
- Fortalecimento do segmento premium, o que aumentou seu portfólio com as marcas Baden Baden e Eisenbahn.
O gerente de atendimento da Nielsen para o mercado de bebidas, Marcelo Mendonça de Fázio, também avaliou como oportunidade o crescimento das marcas premium, mesmo com um preço médio duas vezes acima da média da categoria.

A Heineken é uma das cervejas favoritas dos brasileiros (Foto Reprodução/Internet)

A Brasil Kirin foi vendida para Heineken, no ano de 2017, após forte crise financeira (Foto Reprodução/Internet)

A Heineken passou para outro patamar após compra (Foto Reprodução/Internet)
Como está o desempenho da Heineken atualmente?
De acordo com o portal Catalise, no último ano de 2023 a Heineken chegou a divulgar os resultados que apresentavam uma certa queda em vendas, porém com um crescimento significativo na receita da companhia, sendo o Brasil um dos seus mercados de maior destaque.
Aqui, foi aonde ela obteve maiores preços e aumento de volume vendido ajudando no resultado da gigante holandesa.
Vale mencionar que o resultado na Heineken Brasil demonstra a continuidade do movimento da empresa no país de crescimento em vendas do portfólio premium mesmo com o reajuste de preços periodicamente.
Fora que apresentaram uma alta de cerca de 25% na receita líquida, alavancada por aumento de preços e crescimento de volume de vendas.
A estratégia de foco em marcas premium resultou num crescimento em vendas concentrado neste segmento, enquanto o portfólio de marcas econômicas apresentou queda de um dígito alto no país durante o período.
De acordo com o portal Exame, agora em 2024, com o preço das commodities e de energia mais baixos, a Heineken está em busca de crescer um dígito baixo por hectolitro.
O que representa um alívio que deve se somar a uma economia de pelo menos 500 milhões de euros com a continuidade do programa de produtividade que a empresa adotou nos últimos ano.