A decadência do Casos de Família
No dia 17 de maio de 2004 , estreava na tela do SBT o Casos de Família. O programa seguia um formato que havia sido taxado de baixo e popularesco, pois anteriormente, outros programas parecidos mostravam inclusive agressões físicas entre os participantes, como o “Márcia”, exibido na década de 90 no próprio SBT e o “Hora da Verdade”, exibido entre 2001 e 2004 na Band, ambos apresentados pela polêmica Márcia Goldschmidt. Contudo, Regina Volpato surpreendeu a todos pela forma civilizada com que conduzia o programa, sem bate-bocas e sem barracos. A plateia participava dando seus depoimentos para ajudar a solucionar os dilemas dos convidados, os psicólogos davam sua palavra de ajuda e a apresentadora dava o arremate final emocionando a todos e mostrando que existia um caminho para que as pessoas superassem seus problemas. A audiência era satisfatória e o programa tinha fôlego para segurar a vice-liderança.
Porém, Sílvio Santos queria mais e acreditava que para isso, precisava mexer no formato do programa e apelar para a baixaria. Regina não se submeteu a isso e não renovou seu contrato. Sílvio então chama uma nova apresentadora que se sujeitasse a suas exigências: Christina Rocha. Christina aceitou comandar o formato com barracos e bate-bocas. A baixaria reina no palco. Se antes, o foco principal era resolver os problemas dos convidados, agora vê-los brigar tornou-se o objetivo. A apresentadora já chegou a expulsar os participantes e ainda discute frequentemente com os mesmos. A plateia continua participando, mas com xingamentos e discussões de baixo nível. Os psicólogos se adequaram à nova realidade e também discutem com convidados. A audiência desabou e o programa, às vezes, amarga o quarto lugar.
Então, fica a deixa: é inegável que Sílvio Santos é um dos maiores apresentadores do Brasil, mas será que ele tem o mesmo talento como programador de TV? Comentem.
Por Ricardo Villari
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