A falência decadente de banco gigante responsável pelo FGTS por calote bilionário e substituto convocado
Tv Foco mostra hoje atrizes brasileiras dos anos 1990 já chegaram aos 50 anos, mas continuam arrancando suspiros por onde passam.
Banco gigantesco teve sua falência decretada após escândalo (Foto Reprodução/Motagem/Lennita/TV Foco/Canva/Freepik)
Banco gigantesco e responsável por repasses importantes para trabalhadores como o FGTS acabou tendo um fim decadente, em meio calote e escândalos financeiros até ter a sua falência decretada
O sistema financeiro como um todo é fundamental em qualquer sociedade. Mesmo porque é através dele que as pessoas, as empresas e o governo circulam a maior parte dos seus ativos, pagam suas dívidas e realizam seus investimentos.
Por conta disso, algumas quebras de bancos sempre causam um certo choque, ainda mais quando se trata de estatais. Como é o caso do Banco Nacional da Habitação (BNH), criado ainda em 1964, logo quando estourou a ditadura militar.
Sua principal função era fornecer crédito destinado ao financiamento imobiliário no Brasil, com o objetivo de promover uma política de habitação destinada principalmente para a população de baixa renda.
Necessário
Segundo informações do portal Topinvest, o banco foi fundado a princípio como uma autarquia federal vinculada ao Ministério da Fazenda. Como dito acima, sua principal função era essencialmente administrar e financiar os programas desenvolvidos pelo governo de Castelo Branco para estimular a aquisição da casa própria.
Fora isso, o BNH desempenhava um papel crucial e extremamente necessário na promoção da construção de habitações de interesse social por meio de parcerias com a iniciativa privada.
No ano de 1971, ele foi convertido em empresa pública, cujo patrimônio passou a ser parte do Ministério do Interior. Neste momento, ele passou a atuar como um banco secundário. Ou seja, por intermédio de outros bancos públicos e privados, sem atender de forma direta o público.
Em plena atividade ao longo de toda ditadura militar, o Banco Nacional da Habitação é considerado até hoje como uma instituição marcante deste período. Até porque, ele foi caracterizado como o principal órgão de desenvolvimento urbano da época, tendo sido o administrador de fundos e organizações, cujas quais existem até hoje.
FGTS e mais …
O Banco Nacional da Habitação foi criado pela Lei nº 4.380/64 e entre as suas principais obrigações estavam alguns repasses e obrigações que visavam a melhoria na vida dos cidadãos como:
- Coordenar a política habitacional e do financiamento para o saneamento;
- Difundir a propriedade residencial, principalmente para classes sociais mais necessitadas;
- Melhorar o padrão habitacional — incluindo a “eliminação das favelas”;
- Reduzir o preço habitacional;
- Desenvolver melhorias sanitárias;
- Promover investimentos no setor da construção civil;
- Aumentar a oferta de emprego, reduzindo a mão-de-obra ociosa não-especializada.
Além disso, ao longo de seus anos de atividade, o BNH também foi responsável por administrar organizações e fundos públicos de grande relevância para o desenvolvimento habitacional além de recursos para trabalhadores como o:
- Sistema Financeiro da Habitação (SFH);
- Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS).
Que como bem sabemos são indispensáveis ainda mais o FGTS, cujo qual é essencial na vida de todos que trabalham sob regime CLT.
Banco Nacional da Habitação (Foto: Reprodução Internet)
Caso Delfin foi o estopim do escândalo (Foto Reprodução/Arquivo/Blog Caso Delfin)
Caixa Econômica Federal (Foto: Reprodução/ Agência Brasil)
A falência
Visto como o “vilão” de si mesmo, ao mesmo tempo que ele surgiu como um grande marco para o desenvolvimento urbano durante os anos de chumbo, a queda do BNH começa com seu protagonismo em um dos maiores escândalos de corrupção ocorridos durante o período: o caso Delfin.
Ainda de acordo com o Topinvest, o estopim de pólvora começou após a publicação de uma reportagem assinada pelo jornalista José Carlos de Assis, aonde a mesma expunha uma quitação de dívida entre o Grupo Delfin, até então a maior empresa de poupança e empréstimo, com o BNH.
Segundo exposto nesta matéria, Ronald Guimarães Levinsohn, então dono da Delfin, havia quitado uma dívida de cerca de Cr$70 bilhões (moeda da época) ao BNH, porém com dois terrenos supervalorizados, que não valiam mais do que Cr$9 bilhões juntos, ou seja, o valor equivalia apenas a um sexto da dívida.
Fora isso, Delfin ainda tentou vender terrenos da empresa pelo preço de mercado e não pelo valor venal. Este acordo de beneficiamento levou à investigação de nomes de grandes cargos do Governo, tais como os ministros Mário Andreazza (Interior), Delfim Netto (Planejamento) e Ernane Galvêas (Fazenda).
A notícia fez um “barulho” estrondoso, a ponto de provocar uma corrida desesperada por parte dos poupadores em em retirar seus fundos do Grupo Delfim, temendo levar um calote, o que de fato levou a empresa à falência em questão de semanas.
Com a imagem completamente manchada e já em queda, o fim do BNH viria alguns anos depois, já no governo de José Sarney, em meio ao cenário de instabilidade econômica e inflação que marcaram a década de 1980.
Na época, a crise reduziu o poder de compra da classe média, a qual havia se tornado o grande público das políticas habitacionais do SFH. A soma de uma máquina inchada, a inadimplência dos clientes e uma sucessão de erros em fórmulas de reajustes de contrato, conduziram a instituição à sua extinção.
Após 22 anos de mercado, o BNH, então vinculado ao Ministério do Desenvolvimento Urbano e Meio Ambiente, teve seu fim logo no primeiro governo da redemocratização.
O fechamento da instituição foi oficialmente decretado em 21 de dezembro de 1986, a partir da publicação do Decreto-Lei nº 2.291, assinado pelo então Presidente da República José Sarney.
Quem substituiu o Banco Nacional de Habitação?
Com o tempo, as funções do BNH foram diluídas entre diferentes agentes, entre eles:
- Conselho Monetário Nacional;
- Banco Central;
- Ministério de Desenvolvimento Urbano e Meio Ambiente;
- E a famosa Caixa Econômica Federal.
Falando na Caixa, como muitos aqui imaginam, ela acabou sendo convocada para substituir o BNH e administrar o FGTS e suas demais funções delegadas:
- Coordenar os planos de habitação popular e saneamento básico;
- Empregar os 8 mil funcionários que pertenciam à instituição;
- Gerir o passivo e ativo do antigo BNH;
- Integrar seus bens móveis e imóveis.
Em 1988, pouco mais de um ano após o fim do Banco Nacional da Habitação, a Caixa Econômica Federal também passou a assumir a gestão do Sistema Financeiro da Habitação, o que incluiu herdar também um prejuízo de R$2,5 bilhões.
Ao procurar manifestações dos responsáveis na época, as mesmas não foram encontradas. Porém todos esses fatos históricos foram devidamente comprovados com arquivos de jornais da época e pesquisas muito bem apuradas.
Apesar da falta de notas oficiais por parte dos responsáveis e do tempo que já se passou até agora, o espaço permanece em aberto caso os mesmos queiram expor as suas versões dos fatos.
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