Rombo de 9,5B: A falência de rede de saúde, com 31 hospitais, e beneficiários assustados em país

Caos na saúde: Entenda como o rombo de 9,5 bilhões de dólares fez uma gigante entrar em falência com 31 hospitais; Entenda o que rolou

08/04/2026 às 05:00 · Tempo de leitura: 9 minutos

Rede de saúde entrou em colapso em país (Foto Reprodução/Montagem/Lennita/Tv Foco/Canva/GMN)

Caos na saúde: Entenda como o rombo de 9,5 bilhões de dólares fez uma gigante entrar em falência com 31 hospitais e o que o Brasil faz para evitar colapsos

O setor de saúde global enfrentou um de seus momentos mais críticos nos últimos anos, revelando que nem mesmo as gigantes do mercado estão imunes a gestões temerárias e engenharias financeiras arriscadas, as quais são capazes de levar qualquer empreendimento a entrar em falência.

E, quando uma rede hospitalar de grande porte prioriza a liquidez imediata em detrimento da sustentabilidade operacional, o resultado transcende os balanços contábeis e atinge diretamente o leito dos pacientes.

Como é o caso da Steward Health Care, vista como uma rede de saúde extremamente potente do setor privado.

Seu colapso expôs como a dependência de capitais especulativos pode transformar instituições de cura em máquinas de acumular débitos impagáveis.

Esse cenário de insolvência não apenas silenciou sirenes de ambulâncias, mas acendeu um alerta mundial sobre os limites do lucro na gestão da vida humana.

Isso porque a investigação sobre essa crise revela um cenário desolador, em que um rombo de 9,5 bilhões de dólares e a falência da rede, a qual contava com 31 hospitais nos EUA, deixaram beneficiários assustados e forçaram intervenções governamentais urgentes.

Sendo assim, com base em informações do portal local norte-americano, o Kroll, trazemos abaixo os seguintes pontos:

  • A estratégia “Sale-Leaseback“: o início do desequilíbrio;
  • O colapso;
  • Renúncia e escândalo;
  • Intervenção estatal e nova legislação;
  • O processo de liquidação.

Tudo desalinhado

A Steward Health Care construiu seu império nos Estados Unidos utilizando uma tática financeira agressiva que, embora gerasse caixa rápido, comprometeu o futuro imobiliário de suas unidades.

Por meio do modelo Sale-Leaseback, a empresa vendia os prédios de seus hospitais para fundos imobiliários e, simultaneamente, assinava contratos de aluguel de longo prazo para continuar operando neles.

Essa manobra injetou bilhões para expansões rápidas, mas transformou a rede em refém de custos fixos altíssimos.

Steward Health Care entrou em falência após uma série de adversidades e decisões erradas (Foto Reprodução/YouTube)

Entre 2016 e 2023, a diretoria continuou distribuindo dividendos milionários aos investidores, ignorando o fato de que as receitas operacionais já não cobriam os aluguéis inflacionados.

O resultado culminou em um pedido de falência sob o Capítulo 11 da lei americana em maio de 2024, expondo um passivo astronômico.

O colapso

O rombo financeiro rapidamente se traduziu em degradação no atendimento clínico. Sem fluxo de caixa, a Steward paralisou pagamentos a médicos e fornecedores de medicamentos, gerando situações de risco extremo para os pacientes.

Relatórios investigativos apontaram a falta de itens básicos, como equipamentos de monitoramento e insumos cirúrgicos, forçando o cancelamento de procedimentos vitais.

Em diversos estados, o fechamento abrupto de prontos-socorros deixou comunidades inteiras desassistidas, evidenciando que a crise financeira havia se tornado uma crise humanitária de larga escala.

Uma bomba e escândalo

A crise atingiu seu ponto máximo de tensão política quando o fundador e CEO da rede, Dr. Ralph de la Torre renunciou ao cargo em setembro de 2024.

Sua saída ocorreu sob o peso de um indiciamento por desacato criminal, após ele se recusar a prestar depoimento perante o Senado dos Estados Unidos.

Os parlamentares buscavam esclarecimentos sobre a condução financeira da companhia e o destino dos recursos enquanto os hospitais entravam em colapso.

A postura da gestão intensificou a pressão pública por punições severas aos executivos que priorizaram o retorno financeiro em detrimento da assistência hospitalar.

Intervenção estatal

O estado de Massachusetts, epicentro das operações da rede, tomou medidas drásticas para evitar um apagão sanitário.

A governadora Maura Healey ordenou a desapropriação emergencial de unidades críticas, como o Saint Elizabeth’s Medical Center, garantindo que o atendimento não fosse interrompido pela falência.

Em resposta ao escândalo, o legislativo local aprovou leis rigorosas que agora exigem:

  • Transparência contábil: Operadoras privadas devem abrir seus livros para fiscalização estatal frequente;
  • Notificação antecipada: As empresas não podem fechar unidades sem um aviso prévio obrigatório que permita a transição de pacientes;
  • Restrição a fundos de investimento: A nova lei limita a influência de capitais especulativos na gestão direta de serviços de saúde essenciais.

Em 2025, o tribunal de falências avançou com o plano de reestruturação da Steward, que previu a venda gradual de todos os ativos restantes.

Além disso, o Judiciário buscou utilizar os recursos obtidos para ressarcir credores e financiar ações legais contra ex-gestores.

O que acontece quando uma rede de saúde entra em falência no Brasil?

Embora o caso americano sirva de alerta global, o Brasil possui um sistema de proteção mais rígido sob o comando da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).

No território brasileiro, a fiscalização constante impede que colapsos dessa magnitude ocorram sem intervenção prévia.

Caso uma operadora brasileira apresente insolvência, a ANS inicia a liquidação extrajudicial e garante a transferência dos beneficiários para outras empresas em até 90 dias, assegurando que o direito à saúde prevaleça sobre os débitos financeiros da instituição.

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