A maioridade da TV por assinatura

16/11/2010 às 17:04 · Tempo de leitura: 2 minutos

Um amigo que trabalha com produção independente comentou dia desses numa conversa que o Multishow está interessante, cheio de produções baratas feitas com uma câmera só e por um pessoal muito jovem. Nem tudo o que vai ao ar no canal tem esse caráter, há atrações com outra ossatura (um exemplo é “Amoral da história”, superbem produzido e estrelado por Fernanda Torres). Mas, no geral, a observação procede.
Quando começou por aqui, a TV paga estava na casa de poucos, e, com isso, tinha a prerrogativa da experimentação. Dava para errar sem ser tão criticado.

Passados cerca de 15 anos, já não é assim. O cabo alcançou uma certa maioridade. Profissionalizou-se, mas a um preço: perdeu o direito de engatinhar e de derrapar. Agora, a internet passou a ocupar este posto de “televisão do B”. É no imenso território alternativo da web que o Multishow vem buscando talentos. E as produções que estão no ar no YouTube têm uma enorme desvantagem técnica se comparadas ao que uma televisão de verdade pode fazer. Os canais por assinatura talvez não tenham o poder de fogo de uma rede aberta como a Globo. Mas, comparados à internet, são mainstream.
O Multishow pode e deve buscar no YouTube suas novas cabeças pensantes. Com um detalhe: sem esquecer que a TV paga não serve mais à experimentação pura. É algo como encaretar sem jamais perder a ternura

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