Na guerra, como no mundo corporativo, ocorrem diariamente grandes batalhas.

Continua depois da publicidade

Esses confrontos exigem, muitas vezes, a tomada de decisões estratégicas.

A maioria das pessoas com poder de comando, no universo empresarial, não está preparada para realizar uma rápida avaliação do que ocorre à sua volta e escolher a melhor alternativa, como ocorre no front.

Continua depois da publicidade

Os grandes desastres são sempre previsíveis.

Continua depois da publicidade

Na televisão brasileira, os dirigentes padecem de uma espécie de miopia congênita que os impede de ler os sinais das tragédias que se avizinham.

Aprender com os erros e acertos alheios é mais barato do que aprender com os nossos. As lições que a História oferece pouparia as emissoras de cometerem os mesmos erros no confronto com seus concorrentes, além de economizar tempo, dinheiro e outras coisas.

Continua depois da publicidade

Não se pode entrar numa guerra sem conhecer as limitações e o poder de fogo do inimigo.

A Alemanha só invadiu a Rússia, em junho de 1941, quando avaliou a extensão do expurgo que Stalin havia promovido no Exército Vermelho.

Em menos de três anos foram executados, presos e afastados 36.671 oficiais, dos quais cinco mil tinham patentes acima de major.

Continua depois da publicidade

Dos 15 generais de cinco estrelas, com experiência de combate na 1ª Grande Guerra, 13 viram-se, de um dia para o outro, vestidos de pijama.

A Rússia não tinha mais oficiais competentes quando a Alemanha resolveu atacá-la.

No primeiro dia da invasão, 1.200 aviões russos foram destruídos ainda no solo.

Três semanas depois, a situação do Exército Vermelho era desesperadora: havia perdido 3.500 tanques e mais de seis mil aviões de combate.

A Wermacht tinha cercado e aprisionado cerca de dois milhões de soldados russos.

Ao decidir enfrentar a Globo, a partir de 2002, a Rede Record não tinha menor noção do poder de fogo do inimigo.

A televisão dos Marinho encontrava-se bem estruturada, sob o comando de Marluce Dias, com larga experiência em administração e sólida formação cultural.

Ao construir seu bunker, o conjunto de estúdios conhecido como Rec9, nas imediações do Projac, no bairro de Jacarepaguá, o dono da Record acreditou que a proximidade entre as duas centrais de dramaturgia, facilitaria o trabalho da sua artilharia pesada.

O canhoneio, à curta distância, não apresentou o resultado esperado.

A TV Globo viu a munição e os esforços da concorrente se exaurirem sem que ela conseguisse atingir seus objetivos.

O desperdício de expectativas e a quantidade de dinheiro jogada no lixo mostrou que combate foi travado na hora errada e num local adverso.

Caso a TV Record resolva enfrentar novamente a Globo, com as forças que ainda lhe restam, o melhor momento é agora.

A exemplo de Stalin, o Chefão da Globo promoveu o maior expurgo de talentos em toda a história da emissora, despojando-a dos seus melhores profissionais. A emissora dos Marinho encontra-se totalmente vulnerável, como a Rússia, em 1941.

Não é necessário criar uma nova Wehrmacht para derrotar um inimigo que cevou sua própria derrota.

Texto: James Akel

As opiniões expressas aqui são de responsabilidade do autor do texto, e não reflete a opinião do site TV Foco.