Sempre de língua afiada e disposto a lançar novas provocações, o autor Aguinaldo Silva escreveu em seu site, o “Aguinaldo Silva Digital” críticas às autoridades que acobertaram o caso da onça que foi “abatida” durante evento olímpico recente.
“Acordo às 5h30m como é de praxe, pego o jornal que o porteiro já deixou à minha porta e o folheio avidamente em busca de mais notícias sobre o “abate” da onça Juma… Mas, em matéria de animais, só encontro uma reportagem tipo fofa sobre um gato visivelmente obeso que anda de moto com seu dono de óculos escuros e boné… Mas sem capacete, o que, acho, mesmo em se tratando de um gato é proibido ou inapropriado.
Sobre – repito a palavra que foi usado por uma autoridade – o ‘abate’ da onça Juma, nem uma palavra; o assunto parece estar encerrado. Então, nem adianta dizer que nos últimos 27 anos a população de onças, o maior felino da América do Sul, diminuiu em 30% e, por conta dessas estatísticas, a morte de Juma logo após sua participação num assim chamado ‘ato cívico’ devia ser emblemática.”, cutucou o autor da Globo.
E fez um questionamento: “Por isso eu vos pergunto: de que cabeça de camarão saiu a idéia de mostrar não uma, mas duas onças, numa cidade qualquer da Amazônia, durante a passagem da tocha olímpica? Claro que não foi do comitê olímpico, que deve estar meio vexado com a ‘carnavalização’ do que devia ser um acontecimento solene. Nem na Grécia antiga, onde os atletas corriam com a tocha completamente nus a exibir suas ‘badalhocas’ balançando, se viu tamanho festival de ocorrências insólitas.”
No final, Aguinaldo ainda citou um caso envolvendo uma polêmica “morte de onça” em uma de suas novelas, e, com humor, exalta o seu diretor, Paulo Ubiratan: “Antes que me esqueça, mais uma história sobre morte de onça. Em ‘Fera Ferida’, numa das minhas novelas, Linda Inês, a heroina vivida com extrema garra por Giulia Gam, tinha duas características inovadoras; era a primeira mocinha declaradamente não virgem das nossas telenovelas… E já no primeiro capítulo matava uma onça preta a tiros de espingarda. Quanto à morte da onça preta… Mal o capítulo foi exibido e o Ibama pulou, com dentes e garras das ditas cujas, sobre nossas gargantas. Iam nos processar, iam nos prender, iam nos capar, iam nos jogar no mar do alto de um avião em pleno vôo… E aí foi a vez do diretor da novela, o inesquecível Paulo Ubiratan, revelar às gargalhadas mais uma de suas travessuras. Ele não escalara uma onça preta brasileira de verdade para morrer na novela e sim uma pantera africana, que, não sendo brasileira, não é protegida pela nossa legislação e pode ser por aqui mil vezes morta! E aí o Ibama teve que recolher seus dentes e garras e voltar pra mata.”
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