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Há alguns dias o Ratinho apresentou algo cultural em seu programa. Não caia duro, leitor, é verdade. Eu vi. Pensei que viria bobagem, alguma brincadeira quando ele pediu para ficarmos até o fim, que não mudássemos de canal. Entraram dois senhores, aparentando 70 anos, bem vestidos e fizeram malabarismos incríveis, completamente incomum para a idade. Música, respeito, lição de vida…..no Ratinho. Ainda bem que estava sentado, vi cultura qualificada no programa mais bagunçado da tv. Hoje Ana fez algo semelhante. Com estilo, no tempo certo, contando histórias rápidas sobre a vida de cada cantor, ouvi música erudita bem produzida. Percebi a platéia atenta, admirando o esforço de cada cantor para alcançar os tons corretos e torci para que desse boa audiência.

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Um programa voltado para todas as classes sociais não pode depender apenas da Mulher Melão. Quem vê Ana tem direito a momentos dedicados à outros ambientes. Chacrinha fazia isso. Enquanto jogava bacalhau, deixava Caetano Veloso cantar. E todos conviviam bem em um mesmo programa. Sidnei Magal entrava logo em seguida cantando a história de sua cigana, e tinha a Gretchen mostrando o belo rebolado, logo ouvíamos Djavan. Com isso o telespectador conhecia diversos mundos. Vi isso na Ana, vi no Ratinho e não estava dormindo entre o almoço e o café da tarde. Era real. Real e belo. Que continuem com estas idéias.

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Twitter: @cleomarsantos

 

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