Após Globo, outra emissora brasileira é acusada de promover racismo; saiba mais

[caption id="attachment_641044" align="aligncenter" width="700"] Rudy Landucci se fantasiou de negro em emissora de TV (Foto: Reprodução)[/caption] A Globo se envolveu em uma grande polêmica nos últimos meses por conta do elenco da novela Segundo Sol, exibida atualmente no horário das…

Luzia (Giovanna Antonelli) reencontra Cacau (Fabiula Nascimento) em de Segundo Sol (Foto: Divulgação/Globo)

Rudy Landucci se fantasiou de negro em emissora de TV (Foto: Reprodução)

A Globo se envolveu em uma grande polêmica nos últimos meses por conta do elenco da novela Segundo Sol, exibida atualmente no horário das 21h. Ambientada na Bahia, a trama vem recebendo críticas por conta do elenco majoritariamente branco, sendo que a população do estado é negra e a emissora vem sendo denunciada por movimentos sociais.

Outro canal passou a ser acusado de racismo após a exibição de um programa humorístico. Trata-se do FoxSports Brasil, que foi criticado após fazer uma imitação do técnico Roger Machado, do Palmeiras. Para fazer a imitação do treinador, que é negro, o humorista Rudy Landucci pintou sua pele para se aproximar do tom de pele.

+Mais um ator da Globo é parado em blitz da Lei Seca; saiba quem

Acontece que essa é uma prática que é criticada por alguns historiadores. Apelidada de blackface, o ato de um branco se fantasiar de negro já foi feito no passado em teatros com o objetivo de ridicularizar os afro-descendentes, o que não foi a intenção do canal esportivo.

Leia também

ASSOCIAÇÃO PROCESSA A GLOBO

Uma novela dentro da novela. O baixo número de negros na novela Segundo Sol, que é ambientada na Bahia, continua dando o que falar e vem promovendo dor de cabeça para a Globo. Mais uma vez, o assunto foi parar na justiça por conta de um processo movido por uma associação. Trata-se da União de Negros Pela Igualdade (Unegro), que entrou no dia 14 de maio com uma ação que pede mudança radical no elenco da novela para que represente a verdadeira diversidade racial do estado. Ângela Guimarães, presidente da entidade e filiada ao Partido Comunista do Brasil (PC do B), explicou a ação em entrevista à Veja.

“Vem das denúncias que o movimento negro já faz há décadas da ausência de representatividade negra na televisão brasileira. Agora, estamos falando especificamente de uma novela da Rede Globo que se passa na Bahia. Mas a gente pode estender para o conjunto da programação das TVs. Porque a gente não vê os cerca de 54% de população negra do país refletidos nos apresentadores de telejornais, nos repórteres, nos personagens das novelas”, contou.

Ousado, o movimento pede uma porcentagem grande de negros na novela das 21h: “Queremos a incorporação da real proporcionalidade da população negra do estado no elenco da novela. Nós queremos 80% de negros. Esse é o nosso vetor da mobilização. Quando for no Sul do país, a gente aceita ser 12%, 15%, 20%. Mas, sendo na Bahia, em Salvador, onde cada poro da cidade respira a herança africana, desejamos ser 80%, que é quanto nós somos aqui“, revelou.

Ângela ainda reclamou do esteriótipo do baiano que é apresentado pela emissora: “Entre as poucas novelas que retratam a Bahia, 90% delas fazem isso de forma estereotipada. Porque nós não nos reconhecemos naquele sotaque, nos estereótipos da baiana brejeira, sensual e sempre disponível para o sexo, do baiano preguiçoso ou do malandro. Não nos reconhecemos nessas tramas. O que nós queremos é, de forma educativa, levar a Globo e outras televisões brasileiras a compreenderem que vivemos outro momento histórico, no qual a maioria da população já se autodeclara negra e há uma explosão de movimentos de afirmação dessa negritude. Queremos trazer as televisões para o século XXI“.

Tópicos nesse artigo: