Após grande sucessos na Globo, Amora Mautner retorna com a poderosa A Dona do Pedaço que promete ser novo fenômeno
Tv Foco mostra hoje atrizes brasileiras dos anos 1990 já chegaram aos 50 anos, mas continuam arrancando suspiros por onde passam.
Juliana Paes volta a trabalhar com Walcyr Carrasco (Foto: Reprodução)
Juliana Paes volta a trabalhar com Walcyr Carrasco e Amora Mautner na Globo (Foto: Reprodução)
Amora Mautner é a diretora da nova produção global A Dona de Pedaço
Amora Mautner estreou na TV Globo em 1995, como assistente de direção de ‘Malhação’. Depois vieram ‘Salsa e Merengue’ (1996), ‘Anjo Mau’ (1997), ‘Dona Flor e Seus Dois Maridos’ (1998), ‘Labirinto’ (1998) e ‘Andando nas Nuvens’ (1999). A partir daí, assumiu o posto de diretora nas obras: ‘O Cravo e a Rosa’ (2000), ‘Um Anjo Caiu do Céu’ (2001), ‘Desejos de Mulher’ (2002), ‘Agora É Que São Elas’ (2003), ‘Celebridade’ (2003), ‘Mad Maria’ (2005), ‘JK’ (2006), ‘Paraíso Tropical’ (2007) e ‘Três Irmãs’ (2008).
‘Cama de Gato’ (2009) marca a sua estreia na direção-geral de novelas. Depois disso, vieram ‘Cordel Encantado’ (2011), ‘Avenida Brasil’ (2012) e ‘Joia Rara’ (2013), que conquistou o 42º Emmy Internacional, em 2014. A diretora também esteve à frente das séries: ‘As Cariocas’ (2010), ‘Eu Que Amo Tanto’ (2014) e ‘Assédio’ (2018). ‘A Regra do Jogo’ (2015) foi o primeiro trabalho como diretora artística na Globo.
ENTREVISTA COM A DIRETORA ARTÍSTICA DE A DONA DO PEDAÇO
Qual a sua expectativa para A Dona do Pedaço, trabalhando ao lado de Walcyr Carrasco?
Amora Mautner: “Walcyr é um autor muito amplo. Escreve, traduz livros, faz peças, vai na estreia e escreve essa novela, que eu estou considerando maravilhosa. Não consigo parar de ler. Estou muito feliz de ter a chance de estarmos juntos porque ele tem uma unicidade, se comunica com todo o Brasil de uma forma muito específica. Sabe o que o público gosta. É uma sorte para quem trabalha com ele porque é como se ele ouvisse e trouxesse isso para perto da gente. Leio as cenas e me emociono, projeto no público e penso: ‘não tem como não se emocionar com isso’. Estou feliz com a oportunidade de ter esse texto nas mãos”
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Como será a linguagem e a estética escolhida para A Dona do Pedaço?
Amora Mautner: “Fomos para uma estética mais pop no sentido de ter brilho, cor e alegria. A forma que vem, desde a fotografia, paleta de cores até as texturas, a volumetria, eu comecei a pensar a partir do tom e da dramaturgia que tem ali. Como a história é de esperança, felicidade, otimismo, luta – principalmente no início por causa da história das duas famílias rivais –, traduzimos isso em imagem com uma estética mais épica, realista em alguns momentos. É uma novela realista, cotidiana, mas tem um tom épico, que está na natureza dos personagens. A Maria da Paz (Juliana Paes), quando sai do interior e vai para São Paulo, tem uma trajetória de uma grande heroína. Isso já é em si algo épico”
Quais foram suas principais referências?
Amora Mautner: “Minhas referências foram os filmes de melodrama. Tem um diretor que se destaca entre todos os maravilhosos, que são muitos, que é o Douglas Sirk. Revi todos os filmes dele, com foco na dinâmica do melodrama para entender o tom, com a intenção de trazer isso para hoje em dia. Porque o melodrama desta época a que me refiro é um pouco mais antigo. Estamos tentando achar esse tom para que o público receba essa novela e se emocione diariamente”
Em A Dona do Pedaço, a gente vai ter personagens fortes e determinadas como a Maria da Paz, por exemplo. É uma novela da Globo onde o feminino tem protagonismo, certo?
Amora Mautner: “Essa novela é bem contemporânea e moderna. Walcyr é um autor que carrega essa marca. Ele é muito conectado e traz isso para o texto e para o público. Nesse momento, a gente tem uma novela especialmente feminina, com força, com potência. Temos uma heroína que vai à luta pelo que quer, com bons valores, com bondade no coração e vence. Além disso, é uma novela que começa no matriarcado. Na família dela, a grande chefe é a Dulce, que está sendo interpretada por Fernanda Montenegro, nossa sacerdotisa das artes. É uma honra à parte trabalhar com ela”
A novela da Globo foi gravada no interior do Rio Grande do Sul e em São Paulo. O que foi determinante para a escolha dessas cidades? Gravar em diversas locações traz mais realismo para o espectador? O que isso agrega de positivo do ponto de vista da direção?
Amora Mautner: “Locação é fundamental para tudo porque contextualiza de uma maneira muito orgânica o que está acontecendo. Não só do ponto de vista do que representa em imagem, mas também da atuação dos atores que estão respirando e sentindo aquela outra atmosfera. Vemos os hábitos reais, a parede real, ela tem vida, textura, chão. Escolhemos o Sul também porque essa região tem um céu muito baixo, sem nada obstruindo. Então, ele “morre” muito embaixo. Queria ter isso para poder fazer uns landscapes (composição de imagens) épicos e trabalhar o matte painting, uma técnica de computação na qual a gente usa colagens de imagens reais. É como se a gente pegasse pedaços perfeitos de uma imagem real, como céu ideal, o mar ideal e a montanha ideal, e colasse tudo numa imagem que não existe. Para isso, preciso ter uma área grande, ampla, para o Tony Cid, supervisor de efeitos especiais, um artista talentoso que está comigo nessa novela, poder atuar. Precisamos ter uma natureza real para poder fazer essas colagens e chegar à imagem ideal. Também fomos em busca de uma luz mais filtrada para fazer a nossa paleta de temperatura e de luz”
Sobre a trilha sonora, teremos grandes destaques, algumas regravações… O que você pode nos falar sobre isso?
Amora Mautner: “A abertura vai ser uma regravação de “Está Escrito”, interpretada por Xande de Pilares. A trilha sonora traz um conceito popular conversando com western contemporâneo e indie, além de trilha original produzida por Eduardo Queiroz, que assina a produção musical. Também teremos versões originais e outras novas para músicas como “Cheia de Mania” e “Evidências”, sendo a última o tema do casal Amadeu e Maria da Paz. Acho que vai ficar muito legal. Estamos muito felizes. É uma novela que, também na trilha sonora, traz otimismo. Mesmo tendo essa coisa de sofrimento, tem uma esperança no fim”
O que o público pode esperar de A Dona do Pedaço?
Amora Mautner: “As pessoas vão poder ver um folhetim humano, cheio de reviravoltas, com emoção, mensagens positivas”, pontuou a entrevista que concedeu a Globo.
Juliana Paes e a diretora Amora Mautner nos bastidores da novela A Dona do Pedaço (Foto: Reprodução/Gshow)
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