Astro dos Trapalhões morre aos 53 anos e deixa herança de R$ 10 milhões que continua no centro de uma disputa judicial
O astro Mussum morreu aos 53 anos, em 29 de julho de 1994, mas seu patrimônio ainda provoca uma disputa judicial entre seus descendentes. Estimada em R$ 10 milhões, a herança permanece sem desfecho definitivo.
A situação ganhou novo capítulo após a Justiça reconhecer Igor Palhano como filho biológico do humorista. A decisão, contudo, não garantiu automaticamente ao dentista uma parcela dos bens deixados pelo artista.
Reconhecimento de paternidade muda disputa
Igor Palhano iniciou a batalha pelo reconhecimento da paternidade em 2019. Naquele ano, um exame de DNA confirmou a ligação biológica com Mussum.

Apesar do resultado, o processo judicial continuou por quase seis anos. Em 6 de fevereiro de 2025, o juiz Cariel Bezerra Patriota reconheceu oficialmente Mussum como pai de Igor.
A sentença permitiu que Igor inclua Antônio Carlos Bernardes Gomes como pai em seus documentos. Entretanto, o magistrado não decidiu sobre sua participação no inventário.
Segundo a decisão divulgada publicamente, a questão patrimonial deverá seguir para o Juízo de Órfãos e Sucessões. Essa instância concentra processos relacionados a inventários e direitos sucessórios.
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Herança permanece no centro do impasse
O inventário de Mussum permanece sob sigilo, portanto, não há divulgação pública detalhada de todos os bens envolvidos. A estimativa de R$ 10 milhões aparece em reportagens recentes sobre o caso.
O patrimônio inclui, segundo essas publicações, bens, direitos patrimoniais e receitas relacionadas à exploração comercial da imagem do humorista. A entrada de um novo herdeiro pode modificar a divisão estabelecida anteriormente.
Os filhos Augusto Gomes, Paula Gomes, Antônio César e Sandro Gomes contestaram a inclusão de Igor no processo. Eles chegaram a alegar litigância de má-fé, mas o pedido foi rejeitado pelo juiz.
Ainda assim, permanece uma discussão jurídica sobre o prazo para reivindicar direitos hereditários. O advogado Nardenn Souza Porto citou o artigo 205 do Código Civil ao explicar a tese.
Conforme essa interpretação, o prazo para a chamada petição de herança seria de dez anos. O entendimento predominante do STJ considera a abertura da sucessão como marco inicial.
Como Mussum morreu em 1994, os demais herdeiros sustentam que esse prazo teria terminado em 2004. A definição sobre a aplicação dessa tese caberá ao juízo competente.

Carreira marcou televisão e música
Mussum nasceu no Rio de Janeiro em 7 de abril de 1941. Antes da televisão, construiu carreira musical com Os Originais do Samba, atuando como percussionista e compositor.
Posteriormente, integrou Os Trapalhões ao lado de Renato Aragão, Dedé Santana e Zacarias. O grupo se tornou um dos principais fenômenos humorísticos da televisão brasileira.
Além disso, Mussum manteve forte ligação com a Estação Primeira de Mangueira. A escola de samba ocupou espaço importante em sua trajetória artística e pessoal.
O humorista morreu em São Paulo após complicações decorrentes de uma infecção, depois de passar por um transplante cardíaco.
Assim, mais de três décadas depois, o legado de Mussum permanece dividido entre sua contribuição à cultura brasileira e uma sucessão ainda indefinida. O reconhecimento de Igor encerrou a disputa sobre a paternidade, mas abriu uma nova etapa sobre a herança.
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Autor(a):
Wellington Silva
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