Ator da Globo se assume gay após anos fazendo personagem hétero e confessa: "Conheci corpos gays ali"

Tv Foco mostra hoje atrizes brasileiras dos anos 1990 já chegaram aos 50 anos, mas continuam arrancando suspiros por onde passam.

11/07/2022 às 11:10 · Tempo de leitura: 4 minutos

Ator da Globo se assumiu gay e está namorando com famoso cineasta (Imagem: Montagem/TV Foco)

Ator falou sobre fase difícil até a aceitação de que ele era gay

Ano passado, o ator Marco Pigossi de 33 anos acabou assumindo de forma pública, ser gay. Desde então, ele se livrou do estereótipo de persona hétero o qual foi imposto a ele.

Mas, segundo o famoso o processo para ele se descobrir gay foi algo cercado de solidão e sofrimento. Ele afirmou que na escola e em casa ele se escondia. Com os seus pais, por exemplo, ele disse que nunca teve abertura para conversar sobre o assunto. Devido a isso, a solidão acabou lhe acompanhando durante esse tempo.

“Eu rezava, pedia a Deus para me consertar. A homofobia é tão enraizada que, por mais que a gente assuma, ainda vai lidar com o preconceito interno. Vesti a máscara heterossexual, sempre fui observado pela beleza. Fiz esse personagem hétero para me esconder, o que deixou minha vida mais confortável. E sou branco, privilegiado, classe média, filho de médicos. Imagina quem está na favela, é negro…”, falou ele em entrevista ao jornal O Globo.

Marco Pigossi se assumiu gay no ano passado (Reprodução)

Marco Pigossi ainda relatou que na escola ele não descia para ir ao recreio e chegou até mesmo a dispensar uma viagem de formatura. Ele confessou que a salvação veio por meio do teatro. “Conheci corpos gays ali. Era um alívio deixar de ser eu. O que era uma fuga, mas carregada de carga cultural, do despertar como pessoa”, afirmou ele.

Para Marco Pigossi, o fundamental é fazer as pazes com você mesmo para conseguir se aceitar e viver uma vida de forma natural. “A pessoa que se aceita e está feliz com o que é conhece uma força enorme. Se sente com poder para ocupar espaços. E o encontro com a comunidade é uma corrente bonita, a gente se sente fortalecido, cria um senso comunitário. Porque, no fundo, o que a gente mais quer é pertencer. Como homossexual, sentia que não pertencia a nenhum grupo. Todos esses corpos passam por isso. E quando passam a pertencer… É do caralho!”, avaliou o ator.

EXAGERO

Além disso, um outro ponto ideal para o famoso é se livrar do fingimento, ele lembra que exagerava no aperto de mão viril: “Me desenvolvi tentando manter um corpo masculinizado. E acho que isso veio do trauma de não poder me assumir, foi uma maneira de me proteger. Mas, hoje, aquela sombra de ‘não desliza’ desapareceu”, contou o ator, que já atuou em várias produções da Globo.

Finalizando, Marco Pigossi ainda contou como ele apresentou o namorado, o cineasta italiano, Marco Valcani, a sua família: “Com meu pai, é sempre tenso, não há naturalidade. É distante do universo dele, que é eleitor do Bolsonaro. Não que ele ache que ser gay é falta de porrada, mas se vota num candidato desse… Existe um ideal político que distância a gente. Ele nunca vai me pegar pelo braço e se unir nessa causa. Diferentemente do amor incondicional da minha mãe”, disse ele.

Marco Pigossi e o namorado (Foto: Reprodução)

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