
Atriz da Globo matou o marido após sofrer severas humilhações (Foto Reprodução/Montagem/TV Foco/Globo/Lennita/ GMN)
O universo das artes guarda capítulos de glamour, mas também carrega profundas tragédias humanas que extrapolam as telas e marcam a vida real. É o caso de Dorinha Duval, nome artístico de Dorah Teixeira. Nascida em São Paulo em 1929, a artista multifacetada construiu uma carreira sólida na Globo, mas viu sua trajetória nos estúdios ser interrompida de forma abrupta por um drama pessoal na década de 80.
Envolvida em um episódio de violência doméstica que culminou na morte de seu então companheiro, o produtor publicitário Paulo Sérgio Garcia Alcântara, Dorinha deixou os holofotes da atuação para enfrentar os tribunais em um caso que antecipou debates necessários sobre os limites da dignidade em uma relação.
Abaixo, com base em informações do portal Wiki e Veja, relembramos a trajetória artística dessa talentosa estrela, os bastidores do fatídico acontecimento, os desdobramentos jurídicos e o desfecho de sua história.

Antes de estrear na televisão, Dorinha Duval consolidou seu talento como cantora, bailarina e vedete no teatro de revista, além de participar de diversas radionovelas de sucesso.
Seu ingresso na Rede Globo ocorreu em 1969, na novela “Verão Vermelho”, escrita por Dias Gomes. A partir dali, a atriz emendou papéis em alguns dos maiores sucessos da teledramaturgia nacional, como:
Mas o ápice de sua popularidade com o público aconteceu mesmo em 1977, quando o diretor Geraldo Casé a convidou para integrar o elenco da primeira versão do “Sítio do Picapau Amarelo”.
Na adaptação da obra de Monteiro Lobato, Dorinha deu vida à primeira versão da bruxa Cuca, marcando para sempre o imaginário de uma geração de brasileiros.
Sua última aparição na TV ocorreu décadas mais tarde, em 2006, com uma participação especial na novela “Belíssima”, em que relembrou os tempos de vedete ao lado de outras grandes estrelas do teatro.
Porém, a madrugada do dia 5 de outubro de 1980 virou a vida da atriz de cabeça para baixo. Após retornarem de uma festa no Leblon, na Zona Sul do Rio de Janeiro, uma forte discussão teve início no quarto do casal, na residência localizada no Jardim Botânico.
Dorinha, que na época tinha 51 anos, arrumava as malas para um compromisso profissional em Belo Horizonte quando foi severamente hostilizada por Paulo Sérgio, de 35 anos.
Segundo os depoimentos prestados à polícia, o publicitário passou a desferir insultos cruéis à artista, atacando sua idade e sua aparência física.

A violência verbal rapidamente evoluiu para agressões físicas, com chutes e tapas direcionados à atriz.
Diante do desespero de Dorinha, que ameaçou atentar contra a própria vida para que as agressões cessassem, o companheiro chegou a indicar uma arma de fogo que mantinha no quarto, instigando-a a fazê-lo.
Em um momento de extrema pressão psicológica e necessidade de defesa pessoal frente às agressões físicas em curso, a atriz empunhou o revólver e efetuou os disparos. Muito abalada, ela buscou socorro médico imediato para o marido, que acabou não resistindo aos ferimentos.
O caso mobilizou a opinião pública e levou Dorinha Duval a enfrentar o tribunal do júri em duas ocasiões distintas, em que o contexto do relacionamento foi amplamente analisado:
Afastada definitivamente da televisão após o cumprimento da pena, Dorinha Duval encontrou refúgio nas artes plásticas, dedicando-se à escultura e à pintura.
Em 21 de maio de 2025, Dorinha Duval faleceu aos 96 anos de idade, no Rio de Janeiro.
A confirmação da morte foi feita por sua única filha, a também atriz Carla Daniel, fruto do casamento de dez anos de Dorinha com o renomado diretor e ator Daniel Filho.
A partida da ex-atriz encerrou uma das trajetórias mais complexas e impactantes da história cultural brasileira, marcada pelo contraste entre o talento inegável nos palcos e as duras provações da vida real.
Vale deixar registrado que esse trágico episódio vivido por Dorinha Duval nas décadas de 80 e início dos anos 90 convida a sociedade a uma análise sutil, porém necessária, sobre a evolução dos direitos das mulheres e a proteção contra a violência de gênero.
Embora o termo “feminicídio” e as legislações específicas de proteção, como a Lei Maria da Penha, não fizessem parte do ordenamento jurídico e do debate público daquela época, o sofrimento que antecedeu a reação desesperada da atriz altera o cenário de vulnerabilidade que muitas mulheres enfrentavam dentro de seus próprios lares.
Casos históricos como este auxiliam na compreensão da importância de se combater e denunciar a escalada de agressões de gênero antes que atinjam desfechos fatais para qualquer uma das partes, reforçando a urgência contínua desse debate em uma sociedade onde os índices de violência contra a mulher permanecem alarmantes.
Lembrando que esse tipo de violência é uma violação grave de direitos. Caso você seja vítima ou presencie qualquer forma de abuso, denuncie imediatamente pelo Ligue 180. O canal é gratuito, sigiloso e funciona 24 horas por dia.
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