"Babilônia" mostra personagem evangélica como intolerante e preconceituosa

05/07/2015 às 15:39 · Tempo de leitura: 4 minutos

Consuelo perde a compostura e ofende Teresa (Foto: Divulgação)

Consuelo perde a compostura e ofende Teresa (Foto: Divulgação)

Os autores Gilberto Braga, Ricardo Linhares e João Ximenes Braga não se conformam com o boicote que parte da classe evangélica promoveu à sua novela no início, que motivou a queda da audiência do horário nobre da Globo, que hoje registra apenas 25 pontos de média.

Ao contrário das novelas anteriores, que beiravam os 40 pontos, o folhetim só caiu desde o início e não mostra nenhuma perspectiva de reação para a reta final. Diante de toda essa situação, aos autores restou apenas seguir levando a história até o fim, com pitadas de críticas.

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A personagem Consuelo, que representa a classe oposta aos temas pregados pela novela, se tornou ainda mais ácida, reacionária e extremista. “Atenção pessoal, ninguém come nada aqui! Tem pó de lésbica na receita. Vai todo mundo virar pederasta!”, foi uma de suas falas.

Teresa fica chocada com as ofensas de Consuelo (Foto: Divulgação)

A declaração, vista como surreal, foi feita no coquetel de inauguração de um restaurante, no capítulo de sábado (4) de Babilônia. Interpretada por Arlete Salles, a personagem tem como inimigas as lésbicas Teresa (Fernanda Montenegro) e Estela (Nathália Timberg).

A história serve como denúncia do radicalismo religioso, com um texto engraçado pelo sarcasmo e, ao mesmo tempo, carregado de críticas pessoais que representa quem a escreve. Em uma cena, Consuelo chegou a disparar um palavreado agressivo e homofóbico.

Consuelo foi acompanhada de Luís Fernando ao evento (Foto: Divulgação)

“Mestra das lésbicas, bruxa da inversão, a pederasta mais famosa do Brasil”, debochou a personagem, se dirigindo à Teresa, que manteve a classe e elegância, enquanto a religiosa seguia com os insultos: “Caminhoneira! E não adianta mudar de marcha, eu passo por cima de qualquer jeito”.

“Mulher com mulher dá jacaré”, dizia ela, ao ser rebatida pela advogada, que reagiu: “Ignorância, estupidez, burrice é o que a senhora representa hoje, agora, aqui, com muita fartura”. Em seguida, a vilã foi retirada do restaurante sob a ameaça de processo por discriminação.

Em casa, ela seguiu com os insultos e disse à família sentir orgulho de ter sido expulsa do ‘gueto gayzista’ e chamou Rafael (Chay Suede), filho do casal de senhoras, de ‘ateuzinho lésbico’. Na sinopse original, Consuelo seria intolerante, mas ganhou ainda mais força após a onda negativa em relação à novela.

Os autores criticam e ridicularizam a parcela de público identificada como conservadora e preconceituosa, como aponta a coluna Sala de TV.

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