Decisão inesperada do Banco Central encerra de forma abrupta a tecnologia que prometia revolucionar o sistema de pagamentos no país
O DREX, moeda digital experimental do Banco Central do Brasil (BC), chega a uma virada inesperada. Após quatro anos de testes intensos, o banco central decidiu desligar a plataforma usada até aqui e partir para um novo modelo.
Contudo, a decisão, comunicada internamente e com anúncio público recente, revela que o sistema baseado em blockchain “não atendeu aos requisitos de privacidade e segurança para operações financeiras”, segundo o BC.

O projeto DREX nasceu com altos propósitos. A ideia consistia em criar uma versão digital do real, oferecer pagamentos instantâneos, fomentar inclusão financeira e modernizar a liquidação de transações. Em 2023 a plataforma piloto começou a operar com instituições selecionadas, testando a rede permissionada baseada em Hyperledger Besu.
Porém, mesmo assim, o BC concluiu que não era possível avançar com aquele ambiente. As falhas técnicas residem em vínculos claros à privacidade e às exigências regulatórias. O uso da blockchain gerou riscos percebidos de exposição de dados e não conseguiu entregar a robustez exigida para o sistema financeiro nacional.
Por que o Banco Central desistiu do Drex?
Além disso, fontes ouvidas pela imprensa revelam pressões políticas e divergências internas que também influenciaram a mudança de rota.
O impacto prático sobre o público permanece contido porque o DREX nunca atingiu escala de uso generalizado. Ainda assim, para o setor financeiro o movimento assume enorme simbologia.
O BC comunica às instituições participantes que a plataforma será desligada a partir de 10 de novembro de 2025, e que uma nova infraestrutura será definida. Essa sinalização mostra que a inovação financeira exige paciência, testes, revisões.
No curto prazo, o mercado de fintechs e bancos se vê obrigado a refazer planos. Instituições que se engajaram no piloto deverão ajustar expectativas, redirecionar investimentos ou aguardar nova decisão tecnológica.
No entanto, nos bastidores, comenta-se que os casos de uso futuros do DREX devem priorizar tokenização de ativos e integrações mais diretas com sistemas existentes.
Por fim, nos próximos meses o BC terá tarefas claras pela frente. Definir qual será a nova tecnologia de base, escolher parceiros, estabelecer regras de governança e segurança, e comunicar com clareza à sociedade.
