Banco Central informa: Quais são os 2 bancos que faliram no Brasil?

Muito além do Banco Master: Relembre a falência de dois importantes bancos, como funciona a intervenção do Banco Central e o que fazer.

03/06/2026 às 05:00 · Tempo de leitura: 11 minutos

Falência de dois bancos anunciada pelo Banco Central surpreende clientes (Foto Reprodução/Montagem/Lennita/Tv Foco/Canva/Internet)

Muito além do Banco Master: Relembre a falência de dois importantes bancos, como funciona a intervenção do Banco Central e o que fazer em caso de quebras

A solidez do sistema bancário brasileiro costuma transmitir uma sensação de segurança absoluta aos correntistas no dia a dia. No entanto, por trás da aparente estabilidade e das regras rígidas de fiscalização impostas pelo Banco Central, o mercado financeiro não está imune a reviravoltas drásticas.

Embora a quebra de instituições financeiras seja um evento raro, quando acontece, serve como um lembrete de que mesmo marcas que pareciam consolidadas no segmento de crédito e investimento podem colapsar, exigindo a intervenção direta das autoridades para proteger o ecossistema econômico.

Conforme muitos sabem, nos últimos meses, o mercado testemunhou os desdobramentos das quebras envolvendo o gigante Banco Master e a Will Financeira.

Banco Central (Foto: Reprodução/Internet)

Contudo, a lista de rupturas profundas vai além…

Isso porque, entre os anos de 2023 a 2024, outras duas instituições tradicionais do setor de crédito tiveram suas falências decretadas após esgotarem suas defesas operacionais.

Abaixo, com base em informações oficiais das próprias financeiras e do portal Wiki, explicamos o que leva o Banco Central a intervir em uma instituição, os detalhes por trás das quedas da BRK e da Portocred, e como o cidadão deve agir para proteger o próprio dinheiro nesses cenários.

O colapso da BRK Financeira

A BRK Financeira atingiu seu ponto crítico em fevereiro de 2023, protagonizando um dos maiores acionamentos da história do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).

Pouco mais de um ano depois, em março de 2024, o administrador judicial concluiu que os ativos restantes não cobriam os prejuízos, resultando na decretação da autofalência.

Por outro lado, a defesa da BRK contestou duramente a condução do processo pelo órgão regulador, apresentando os seguintes argumentos.

BRK Financeira (Reprodução/BRK)

Os controladores afirmaram que mantinham conversas avançadas para receber um aporte financeiro de capital estrangeiro que seria capaz de salvar a instituição;

A administração justificou que a alta dos juros básicos gerou uma crise de liquidez passageira devido à desvalorização de títulos públicos no balanço, negando que houvesse uma falência estrutural;

Os advogados alegaram que a interrupção abrupta das atividades impediu a entrada de recursos previstos, deixando os clientes dependentes do fundo de garantia.

Comunicado atualizado em março de 2024 pela BRK, expondo a situação aos clientes (Foto Reprodução/BRK)

Para ver a sentença da BRK– acesse aqui/ Para ver o termo de compromisso – acesse aqui

A queda da Portocred S.A.

Quase no mesmo período em que a BRK ruiu, o Banco Central também determinou o fim das atividades da Portocred S.A., uma financeira igualmente popular no segmento de empréstimos para pessoas físicas e financiamentos.

O motivo oficial alegado pelo BC foram violações graves nas normas de exposição de risco.

Mas a diretoria da Portocred também rebateu publicamente a versão do governo, apontando falhas no processo.

Portocred Financeira (Reprodução/Guia do Investidor)

Os gestores alegaram que o Banco Central foi rigoroso demais ao reclassificar a carteira de crédito da empresa, transformando devedores com potencial de pagamento em prejuízos imediatos na contabilidade;

A administração garantia estar executando um plano rígido de corte de despesas e que a paralisação forçada destruiu o valor de mercado da empresa;

E a defesa sustentou que o regulador não concedeu o tempo necessário para que as medidas de recuperação privada surtissem efeito prático.

Porém, nem a defesa da Portocred e da BRK conseguiram reverter a situação e tiveram que lidar com o fim definitivo de ambas.

Anúncio do banco Portocred pelas redes sociais (Foto: Reprodução/Instagram)

Vale destacar que a Portocred ainda deixou bem explícito em seu site, que no dia 15/04/2024, realizou um leilão com seus bens, móveis e equipamentos que havia sobrado da financeira, como podem ver através desse link*.

Mas, o que faz o Banco Central decretar a falência de um banco?

O Banco Central (BC) monitora constantemente os indicadores de saúde financeira de todas as instituições que operam no país.

O objetivo principal é garantir a integridade do Sistema Financeiro Nacional e evitar que os problemas de uma empresa afetem outras.

A intervenção ou a liquidação forçada ocorrem quando os técnicos do órgão identificam:

  • Desequilíbrios patrimoniais incuráveis: Situações em que as dívidas e obrigações da instituição superam os seus ativos de forma irreversível;
  • Violações graves de risco: Descumprimento reiterado das normas de segurança bancária, expondo o dinheiro dos clientes a perigos excessivos.

Quando o BC afasta os controladores e inicia a liquidação, a instituição perde o direito de operar no mercado imediatamente.

O que fazer se o seu banco quebrar?

Quando o Diário Oficial publica a falência ou liquidação de uma instituição, o correntista ou investidor precisa adotar medidas rápidas para evitar prejuízos e dores de cabeça.

Veja o passo a passo essencial:

1. Acione o Fundo Garantidor de Créditos (FGC):

O FGC protege o dinheiro depositado em contas correntes, poupanças e investimentos como CDB, LCI e LCA. A garantia cobre o limite de até R$ 250 mil por CPF em cada instituição. Todo o processo de pedido de reembolso é feito de forma digital por meio do aplicativo oficial do FGC.

2. Comunique o RH da sua empresa:

Se você utilizava a instituição liquidada para receber o seu salário, notifique o departamento de Recursos Humanos da sua empresa imediatamente. É necessário alterar a conta de depósito para o próximo mês, pois qualquer valor que cair na conta bloqueada ficará retido na massa falida do banco.

3. Suspenda o uso dos cartões:

No momento do decreto de falência, os sistemas integrados bloqueiam automaticamente todos os cartões de crédito e débito da bandeira vinculada à instituição, uma vez que eles perdem a validade comercial de forma imediata.

4. Continue pagando suas dívidas ativas:

Por fim, é bom deixar claro que a falência de um banco não perdoa os empréstimos, financiamentos ou faturas de cartão que você deve a ele.

O cliente deve separar o dinheiro dessas parcelas, pois o liquidante judicial divulgará novos canais e boletos para a quitação dos débitos.

Deixar de pagar continuará gerando juros e inclusão do nome nos órgãos de restrição ao crédito. Mas, para saber mais casos como esse, clique aqui*.

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