Banco Central determina novas regras ao PIX: O que muda a partir de maio?
Banco Central atualiza normas do PIX e impõe mudanças que começam a valer já em maio para usuários e bancos; Veja
Banco Central e aplicativo do PIX (Foto: Brenda Rocha)
Banco Central atualiza normas do PIX e impõe mudanças que começam a valer já em maio para usuários e bancos
O Banco Central do Brasil determinou novas regras para o Pix com foco direto no combate a fraudes e golpes digitais. A principal mudança envolve o fortalecimento do Mecanismo Especial de Devolução, conhecido como MED, que agora passa a operar em uma versão mais avançada. Essa atualização, chamada de MED 2.0, ampliou a capacidade de rastrear valores transferidos de forma indevida.
A medida entrou em vigor no início de 2026, mas o sistema financeiro recebeu prazo de adaptação até maio, quando a exigência passou a ser obrigatória para todas as instituições. A decisão surgiu após o aumento de crimes envolvendo transferências instantâneas, que exploravam a rapidez do sistema para dificultar a recuperação do dinheiro.
O Pix funciona como um sistema de pagamentos instantâneos criado pelo Banco Central. Ele permite enviar e receber dinheiro em poucos segundos, a qualquer hora do dia, incluindo fins de semana e feriados. Esse modelo revolucionou o mercado financeiro no Brasil, mas também exigiu ajustes constantes na segurança.
Com o crescimento do uso, criminosos passaram a aplicar golpes que envolvem engenharia social, ou seja, estratégias que enganam a vítima para que ela mesma autorize a transferência. Diante desse cenário, o Banco Central decidiu aprimorar mecanismos já existentes. O MED surgiu como resposta inicial, mas apresentou limitações que agora foram corrigidas com a nova versão.
Como funciona o MED 2.0?
O MED 2.0 atua como um sistema de proteção em casos de fraude, golpe ou erro operacional. Ele permite bloquear valores suspeitos e iniciar o processo de devolução para a conta de origem. Antes da atualização, o mecanismo conseguia agir apenas enquanto o dinheiro permanecia na conta que recebeu o valor inicialmente.
Isso reduzia as chances de recuperação, pois criminosos transferiam rapidamente os recursos para outras contas. Esse processo, conhecido como dispersão de valores, dificultava o rastreamento e praticamente encerrava a possibilidade de devolução.
Com a nova versão, o sistema passou a rastrear o caminho completo do dinheiro. Isso significa que o valor pode ser identificado mesmo após várias transferências entre diferentes contas. O bloqueio não fica mais restrito ao primeiro destinatário. Agora, o sistema acompanha a movimentação e pode atingir contas intermediárias que receberam parte ou todo o valor.
Essa mudança aumenta de forma significativa as chances de recuperar recursos desviados. O Banco Central estruturou essa evolução para reduzir o impacto financeiro das fraudes e tornar o ambiente mais seguro para usuários e instituições.
Outro avanço relevante envolve a criação de um botão específico para contestação dentro dos aplicativos bancários. Esse recurso permite que o usuário registre rapidamente uma reclamação ao identificar uma transação suspeita.
Antes, esse processo dependia de atendimento manual ou contato com o banco, o que poderia atrasar a ação. Com a nova funcionalidade, o registro ocorre de forma direta e digital. Esse fator se torna essencial, pois o tempo de resposta influencia diretamente na possibilidade de bloqueio do valor.
Detalhes
O prazo para análise e devolução também recebeu padronização. O sistema passou a estabelecer um período que pode chegar a até 11 dias para conclusão do processo. Durante esse tempo, as instituições financeiras avaliam a situação, verificam indícios de fraude e decidem sobre o bloqueio ou devolução dos valores.
Essa padronização reduz diferenças entre bancos e fintechs, que são empresas de tecnologia financeira. Antes, cada instituição adotava prazos distintos, o que gerava insegurança para o usuário.
Mesmo com as mudanças, o uso cotidiano do Pix não sofreu alterações. Transferências continuam sendo feitas da mesma forma, sem etapas adicionais para o usuário comum. As mudanças ocorrem nos bastidores do sistema, especialmente em situações de risco ou fraude.
Todas as instituições que oferecem o Pix precisam cumprir as novas regras. O Banco Central passou a monitorar essa adaptação e pode aplicar penalidades em caso de descumprimento após o prazo final de adequação.
O conjunto de medidas fortalece a segurança do sistema sem comprometer sua agilidade. O MED 2.0 não impede totalmente a ação de criminosos, mas reduz o impacto dos golpes e melhora a resposta das instituições. O usuário continua responsável por verificar dados antes de confirmar uma transferência, mas agora conta com um sistema mais preparado para agir em situações de fraude.
O Pix mantém sua eficiência como meio de pagamento, enquanto evolui para enfrentar os desafios impostos pelo aumento do uso e pela sofisticação dos crimes digitais.
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