Bancos registram perda nas contas e clientes precisam estar cientes da situação o quanto antes

Um acordo envolvendo algumas das maiores instituições financeiras do país chamou atenção do mercado e mobilizou o setor bancário brasileiro. Cinco bancos registraram perdas que somam cerca de R$ 20 bilhões após negociações relacionadas a uma das maiores falências corporativas já registradas no Brasil.

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A situação envolve instituições de grande peso no sistema financeiro, como Itaú Unibanco, Banco Bradesco, Banco Santander Brasil, Banco do Brasil e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Todas concederam empréstimos ao conglomerado empresarial Odebrecht, atualmente conhecido como Novonor.

Falência histórica gerou perdas bilionárias

A origem do problema está na crise enfrentada pelo grupo empresarial após os impactos da Operação Lava Jato. A investigação iniciada em 2014 afetou diretamente o setor de construção pesada no Brasil e reduziu drasticamente a capacidade da empresa de obter novos contratos e financiamento.

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Em 2019, a holding entrou com pedido de recuperação judicial tentando reestruturar cerca de R$ 98,5 bilhões em dívidas, incluindo empréstimos, garantias e obrigações entre empresas do grupo.

Com o passar dos anos, parte desses valores deixou de ser paga, o que levou os bancos credores a negociações complexas para tentar recuperar pelo menos uma parcela do dinheiro emprestado.

Acordo com fundo especializado

Ademais, após cerca de cinco anos de negociações, as instituições financeiras chegaram a um acordo para transferir os empréstimos inadimplentes para um fundo administrado pela gestora IG4 Capital, especializada em reestruturação de dívidas.

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Como parte da negociação, os bancos aceitaram trocar os créditos por derivativos financeiros, que dão direito a uma possível recuperação futura do valor perdido. Isso poderá acontecer caso ativos ligados ao grupo voltem a se valorizar no mercado.

Entre os ativos envolvidos, o conglomerado usou participações da petroquímica Braskem como garantia em empréstimos bilionários concedidos anteriormente pelos bancos.

Regras do Banco Central exigem reconhecimento da perda

Pelas regras contábeis do sistema financeiro brasileiro, supervisionado pelo Banco Central do Brasil, os bancos precisam reconhecer integralmente como perda os empréstimos considerados inadimplentes quando decidem vender ou transferir esse tipo de crédito problemático.

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Na prática, isso significa que o valor precisa ser provisionado nos balanços das instituições, afetando temporariamente os resultados financeiros.

Especialistas destacam que os bancos já registravam grande parte dessas perdas nos últimos anos. Isso aconteceu à medida que as instituições aumentaram as provisões contábeis devido às dificuldades financeiras da empresa.

Recuperação parcial

Mesmo com o reconhecimento da perda bilionária, existe a possibilidade de recuperação parcial do dinheiro. Isso dependerá do desempenho futuro dos ativos vinculados ao acordo.

Em suma, se as ações da Braskem ou outros ativos se valorizarem após a reestruturação do fundo, os bancos poderão recuperar parte do dinheiro emprestado.

Impacto no sistema financeiro

Ademais, apesar do valor expressivo, analistas apontam que o impacto tende a ser limitado para os grandes bancos brasileiros, que possuem balanços robustos e grande diversificação de receitas.

Mesmo assim, o caso virou um exemplo de como grandes falências podem gerar perdas bilionárias no sistema financeiro. As negociações foram longas e complexas. As autoridades regulatórias acompanharam todo o processo de perto.

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