Jornalismo motivou sua saída da Globo (Foto: Reprodução/Boni)

Jornalismo motivou sua saída da Globo (Foto: Reprodução/Boni)

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Considerado um dos diretores mais experientes do país na televisão, Boni dedicou anos de sua carreira à Rede Globo, sendo um dos principais responsáveis para o crescimento da emissora, que hoje é uma das maiores do mundo.

Ele concebeu o formato básico da programação da emissora nos anos 60, que permanece até os dias de hoje, com o horário nobre formado por três novelas, o Jornal Nacional entre as duas, e uma programação especial a seguir.

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No entanto, ele ficou na vice-presidência da emissora até 1997 e seguiu como consultor até 2001. No livro “Unidos do Outro Mundo – Dialogando com os Mortos”, ele revela o verdadeiro motivo que o fez sair do canal dos Marinho.

“A gota d’água, a gente pode dizer, foi o Jornalismo. Quando o Evandro (Carlos de Andrade) assumiu, ele veio para trabalhar comigo, mas logo ele começou a tomar decisões direto com o Roberto Irineu, e fez besteiras imensas”, disse.

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“Colocou lá a Lillian Witte Fibe com o William Bonner no JN, que perdeu 30% de audiência. Eu me dava bem com o Evandro. O problema é que ele resolveu se juntar com o Roberto Irineu e tomar decisões que pertenciam à minha área”, explica.

“Ele não poderia ter trocado o Cid Moreira e o Sérgio Chapelin de uma vez. Tinha que tirar um e, no ano seguinte, o outro. Fizemos pesquisa. Gosto muito da Lillian, mas ela tinha um grau de rejeição imenso, era muito empertigada”, revelou ele.

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Ele falou ainda um pouco do que fez pela Globo e afirmou que foi mal remunerado por todo esse trabalho. “Acho que o que fiz pela TV Globo foi muito mal remunerado. Não há mágoa, por que não havia condição de ficar lá”, conta Boni.

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“Eu seria engolido pela tragédia da Globo. Se eu tivesse ações, não teria como sair. Estando lá, eu teria que brigar por aquilo, mas não valia mais a pena brigar porque os donos queriam daquele jeito. Não era minha linha de trabalho”, explica.

Boni com Walter Clark e Roberto Marinho (Foto: Repridução/Boni)

Boni com Walter Clark e Roberto Marinho (Foto: Repridução/Boni)

Ele falou ainda sobre as novelas e sobre Janete Clair, que foi considerada uma das maiores dramaturgas do país. “A Janete sempre dizia que a novela não tinha que ser a verdade, mas tinha que ser verossímil”, conta o diretor.

“Ela falava: não tem que ter só uma boa história, tem que ter personagens apaixonantes, as pessoas vão conviver com eles durante seis meses – o que nem sempre acontece. Há um exagero de favelas, de violência em cima de violência”, avalia.

“Se uma novela é muito violenta, a outra tem que ser mais tranquila, mais romântica, mais comédia, senão o cara não aguenta. A vida imita a arte, mas quando a arte começa a imitar a vida, fica meio pesado”, conclui ele.

Boni falou ainda sobre o sucesso da novela da Record, “Os Dez Mandamentos”, que chegou a bater o “JN” e a novela da Globo por diversas vezes no horário nobre:

“A questão da novela bíblica é que Moisés é um grande personagem, essas coisas acontecem esporadicamente. O difícil é a emissora concorrente da Globo manter esse padrão, é fazer um outro Dez Mandamentos.”