Calote de R$1B, dupla falência e 265 lojas lacradas: O fim de rede varejista tão popular quanto a Magalu

Gigante do mundo do varejo tão popular e tradicional quanto a Magalu viu suas 256 lojas irem a falência em meio a escândalo de calote.

22/02/2025 às 15:00 · Tempo de leitura: 7 minutos

A falência de varejista tão popular quanto a Magalu (Foto: Internet)

Se você viveu os anos 90, deve se lembrar do icônico “Ligadona em você”. Esse era o símbolo das Lojas Arapuã, uma das maiores varejistas do Brasil, rival de gigantes como Casas Bahia e Magazine Luiza.

No entanto, a empresa, que dominou o setor de eletroeletrônicos por décadas, teve um desfecho dramático, que ainda é desconhecido por muitos ex-clientes.

Mas afinal, o que levou uma marca de sucesso a um calote bilionário, duas falências e ao fechamento de 265 lojas? O time de especialistas do TV Foco reuniu tudo sobre o desfecho.

Lojas Arapuã (Foto: Reprodução / Paulo Rubens Fonseca)

Do topo ao abismo: a ascensão da Arapuã

Fundada em 1952, na cidade de Lins (SP), a Arapuã nasceu como uma pequena loja de tecidos, mas rapidamente expandiu sua atuação para o setor de eletrodomésticos.

Com a ascensão da classe média e o boom do consumo nos anos 70 e 80, a rede cresceu exponencialmente, segundo informações do Wikipédia.

Nos anos 1990, a Arapuã já operava mais de 265 lojas espalhadas pelo país, registrando faturamento de R$ 2 bilhões ao ano, conforme o portal Exame.

O crediário facilitado foi um dos grandes trunfos da empresa, permitindo que milhares de brasileiros adquirissem televisores, geladeiras e fogões parcelados.

A crise do crediário e a dívida bilionária

Rede de Lojas Arapuã (Foto: Reprodução, Jornal Globo)

Com a economia brasileira oscilando e a inflação descontrolada, a inadimplência dos clientes da Arapuã disparou. Logo, os financiamentos, que antes impulsionavam as vendas, se tornaram um fardo pesado.

O golpe final veio em 1998, quando a empresa, afogada em dívidas, não conseguiu pagar seus fornecedores e bancos.

A dívida/calote acumulada ultrapassou a marca de R$ 1 bilhão, levando a Arapuã a entrar com um pedido de concordata (atual recuperação judicial), segundo o Wikipédia.

A tentativa de se reestruturar falhou, e a empresa acabou decretando falência. Mas a história não terminou aí.

Segunda falência e o fim definitivo da Arapuã

Após o primeiro baque, a Arapuã ainda tentou se reinventar. Algumas lojas continuaram operando sob uma nova administração, mas a empresa jamais recuperou sua força de mercado.

Em 2020, veio o golpe final: a segunda falência foi decretada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), selando definitivamente o fim da rede.

Com isso, as lojas que restavam foram lacradas, encerrando de vez um capítulo importante do varejo brasileiro.

Varejista Magalu (Reprodução: Magalu)

A arapuã pagou seus credores?

As Lojas Arapuã enfrentaram dificuldades significativas para honrar suas dívidas com os credores, segundo infomações do debentures.

Em 1998, a empresa solicitou concordata, comprometendo-se a pagar 40% das dívidas no primeiro ano e os 60% restantes no segundo.

No entanto, os pagamentos foram efetuados apenas para credores com créditos de até R$ 100, enquanto os demais ficaram sem receber.

Posteriormente, a Arapuã apresentou um plano de reestruturação que incluía a criação de novas empresas e a extensão do prazo de pagamento para dez anos.

Apesar de cerca de 90% dos credores terem aderido ao plano, os pagamentos não foram realizados conforme o acordado.

Segundo o Wikipédia, em 2009, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) decretou a falência da Arapuã devido ao descumprimento dos termos da concordata.

Mesmo após essa decisão, a empresa continuou operando por meio de recursos judiciais e apresentou um novo plano de recuperação, que gerou insatisfação entre os credores.

Por fim, em 2020, o STJ confirmou a falência da Arapuã, encerrando definitivamente suas atividades, com muitos credores ainda insatisfeitos.

Considerações finais

A queda da Arapuã deixa importantes lições sobre os desafios do varejo e a necessidade de adaptação ao mercado. Entre os principais fatores que levaram ao seu colapso estão:

  • Modelo de crediário insustentável, que gerou alta inadimplência;
  • Dívida bilionária, que impossibilitou a continuidade das operações;
  • Mudanças no perfil de consumo, que exigiram inovações que a empresa não acompanhou;
  • Concorrência acirrada, com redes como Magalu e Casas Bahia se adaptando melhor às novas demandas do mercado.

Hoje, restam apenas memórias da marca que marcou gerações. E você, se lembra das propagandas da Arapuã? Conheceu alguma loja da rede?

Além disso, confira: “A falência de varejista gigantesca após 55 anos”

Tópicos nesse artigo:

Mais lidas

ver todas
  1. Câncer fatal: A morte devastadora de atriz mais amada da Globo e Ana Maria aos prantos com anúncio de luto
  2. R$ 24M: Casares bate martelo sobre contratação de Oscar no São Paulo em 2025 e revela: “Está tudo certo”
  3. "Ainda choram por mim": Carta psicografada inédita de Dinho, do Mamonas, revela culpado por sua morte
  4. Tiazinha: Veja como vive Suzana Alves em 2026
  5. Lucimara Parisi, braço direito de Faustão, vive assim hoje