Carta psicografada da travesti Rogéria revela como ela foi recebida após a morte: “Senti…”

Rogéria surpreendeu ao relatar detalhes de sua passagem para o plano espiritural após sua morte. A travesti contou que estava com muito medo.

Carta psicografada de Rogéria trouxe detalhes inéditos (Foto: Reprodução/ Internet)

Rogéria surpreendeu ao relatar detalhes de sua passagem para o plano espiritural após sua morte. A travesti contou que estava com muito medo.

Lembra da travesti Rogéria? Ela acabou sendo uma grande artista e pioneira na televisão brasileira, abrindo portas para profissionais LGBT+. Ao longo de sua carreira, a famosa participou como jurada em vários programas de auditório, de Chacrinha a Gilberto Barros e também Luciano Huck.

Em seus últimos meses de vida, Rogéria enfrentou vários problemas de saúde, tendo passado por várias internações em hospitais. No entanto, seu quadro clínico agravou-se após uma crise convulsiva, seguida de um choque séptico, causa de sua morte em 4 de setembro de 2017, aos 74 anos.

Anos após sua morte, Rogéria se comunicou através de uma carta psicografada e indicou como uma travesti é recebida na religião espirita. O relato pegou muita gente de surpresa. Isso porque a famosa contou tudo o que enfrentou em vida e detalhou alguns dos preconceitos que acompanharam sua vida na terra.

“Sofri com a hipocrisia, com os olhares tortos, com os convites que não vinham, porque eu era demais para certas plateias. Mas também fui recebida com flores, com carinho, com respeito. E no fim, quando a doença bateu, eu estava em paz. Sabia que minha missão havia sido cumprida”, disse ela.

Rogéria relata medo do preconceito

Além disso, Rogéria contou que ficou com medo pela forma que seria recebida após a morte. “Mas, confesso, eu também me perguntei, será que Deus me verá como uma aberração ou como uma alma que apenas quis ser feliz? A morte chegou como quem apaga as luzes do palco depois do último ato”, contou.

“Meu corpo já não respondia. Os médicos falavam em falência, mas minha mente ainda dançava com lembranças, e então tudo silenciou. Não houve dor, não houve grito. Foi como tirar um figurino apertado depois de uma longa apresentação. Senti uma leveza, uma separação quase doce entre o corpo e a alma”, disse.

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“Um frio na alma, um medo que eu nunca havia sentido. Não do desconhecido, mas do julgamento. Será que veriam em mim a travesti ousada que cantava nos cabarés? Será que o mundo espiritual aceitaria a alma que viveu no corpo de Astolfo, mas que brilhou como Rogéria?”, questionou Rogéria na psicografia.

Segundo a travesti, ela encontrou também uma certa resistência no umbral: “Alguns espíritos me olhavam com estranhamento, como se me testassem. Outros desviavam o olhar. E, para minha surpresa, também encontrei zombarias espirituais. Ecos de preconceitos antigos que tentavam me atingir com palavras cruéis”.

Acolhimento no plano espiritual

“Lá naquele lugar entre mundos, que hoje sei chamar de umbral, percebi que não estava completamente só. Algo brilhava ao longe. Uma presença de amor começou a se formar. E então, houve um sussurro em meu ouvido espiritual: ‘Você foi quem precisava ser. Agora venha, vamos cuidar de você’. Chorei pela primeira vez após a morte”, contou.

Em seguida, a travesti detalhou como ocorreu o acolhimento. “Fui acolhida por uma senhora de cabelos brancos e olhos que pareciam ler meu coração. Ela me chamou pelo nome que escolhi viver, Rogéria. E naquele instante eu entendi. O espírito não tem gênero, mas carrega a verdade que viveu”, disparou ela.

“Aqui não importa se foi homem ou mulher, ela me disse. Importa o que você fez com o amor que recebeu e com o amor que ofereceu.Fui levada a uma colônia espiritual, um lugar de cura e estudo. Vi outros como eu, artistas travestis, trans, pessoas que viveram à margem. Mas que aqui eram tratadas com dignidade divina”, explicou Rogéria.

“Cada um escolhe seu caminho de expressão e o plano espiritual não rotula. Ele compreende. Aqui o espírito é acolhido pela verdade que carrega no coração. Descobri que fui instrumento, que minha coragem de ser Rogéria inspirou outras almas a não se esconderem. E isso, isso me trouxe paz”, disse ela.

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