A esta altura do campeonato, todo mundo já sabe que “reality show” tem muito mais a ver com show do que com realidade. No caso de “A Fazenda”, tanto o diretor, Rodrigo Carelli, quanto o apresentador, Britto Jr, já deixaram isso bem claro ao se referirem ao conjunto dos participantes do programa como o “elenco” – palavra, como se sabe, que designa “o conjunto de artistas ligados a um espetáculo ou a uma companhia”.

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Na comparação com um reality show formado apenas por anônimos, como o BBB, o confinamento de um grupo de pessoas conhecidas, com experiência na exibição pública da própria imagem, sempre corre o risco de transmitir de imediato a sensação de que tudo é encenado. Ao mesmo tempo, apresenta a vantagem de produzir no público empatia ou antipatia mais rapidamente.

Pois “A Fazenda”, nas duas primeiras edições, não usufruiu do bônus e exibiu apenas o ônus de ser formada por famosos. Por culpa dos participantes escolhidos – e de quem os escolheu – o programa patinou. Com exceção de Theo Becker no primeiro e Igor Cotrim no segundo, o reality não conseguiu esconder o jeitão de teatro infantil canhestro, formado por atores com alguma técnica, mas carisma zero.

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A redenção, tudo indica, chegou nesta terceira edição. Depois de oito dias, o programa lembra o maior sucesso já exibido no Brasil neste formato, o primeiro “Casa dos Artistas”, que Silvio Santos colocou no ar subvertendo o formato, sem pagar os devidos royalties, do “Big Brother”.

Os 15 participantes compõem uma fauna de enorme potencial para a diversão noturna na tevê aberta. “Estão confundindo vida real com vida irreal”, disse nesta terça-feira Sergio Mallandro, mestre maior na arte de fazer rir provocando vergonha em que o assiste.

UOL

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