Casas Bahia mudou de dono após Pão de Açúcar vender rede em negócio bilionário de R$ 2,3 bilhões que marcou o varejo brasileiro

A trajetória da Casas Bahia passou por uma das maiores mudanças da história do varejo brasileiro quando a empresa deixou o controle da família que a fundou e passou para as mãos do Grupo Pão de Açúcar (GPA).

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A negociação, concluída em 2009, movimentou bilhões de reais e marcou o início de uma nova fase para uma rede que já ocupava posição de destaque no país. Dez anos depois, porém, o cenário mudou novamente. Em um leilão realizado na B3, a Bolsa de Valores brasileira, a família Klein recuperou o controle da companhia em uma operação que movimentou cerca de R$ 2,3 bilhões.

O episódio encerrou um longo período de disputas, mudanças estratégicas e tentativas de venda da participação do GPA, devolvendo aos fundadores o comando de uma das maiores redes varejistas do Brasil.

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Casas Bahia / Pão de Açúcar - Foto: Montagem/TV Foco
Casas Bahia / Pão de Açúcar – Foto: Montagem/TV Foco

A história chama atenção porque poucas empresas desse porte passaram por uma mudança tão significativa em um intervalo relativamente curto. A venda da Casas Bahia ao GPA aconteceu em um momento de forte consolidação do varejo nacional. O objetivo era unir forças para enfrentar uma concorrência cada vez maior e fortalecer a presença da empresa tanto nas lojas físicas quanto no comércio eletrônico.

Pouco tempo antes, o GPA também havia adquirido o Pontofrio, e a união das operações deu origem à Via Varejo, companhia responsável por administrar as duas marcas. Apesar da expectativa de crescimento, a convivência entre os controladores foi marcada por divergências sobre estratégias, integração dos negócios e avaliação dos ativos da empresa. Com o passar dos anos, essas diferenças se tornaram cada vez mais evidentes e abriram caminho para uma nova mudança de comando.

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A fundação da Casas Bahia remonta à década de 1950, quando Samuel Klein iniciou um pequeno negócio voltado principalmente para famílias de baixa renda. A empresa cresceu oferecendo crediário próprio, conhecido popularmente pelo carnê, sistema que permitia ao consumidor parcelar compras mesmo sem acesso ao crédito bancário tradicional. Essa estratégia ajudou a popularizar a marca em todo o país e fez dela uma referência no comércio de móveis, eletrodomésticos e eletrônicos.

Quando o GPA assumiu o controle da empresa em 2009, muitos especialistas acreditavam que a operação criaria um grupo ainda mais competitivo. A fusão com o Pontofrio ampliou a presença nacional e fortaleceu a atuação digital da companhia.

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No entanto, os resultados esperados demoraram a aparecer. Ao longo dos anos seguintes, mudanças na administração, dificuldades operacionais e desafios impostos pelo avanço do comércio eletrônico reduziram o entusiasmo inicial em torno do negócio.

Casas Bahia / Pão de Açúcar - Montagem: TVFOCO
Casas Bahia / Pão de Açúcar – Montagem: TVFOCO

Enquanto isso, Michael Klein permaneceu como acionista relevante e acompanhou de perto a evolução da empresa fundada por sua família. Em 2019, surgiu a oportunidade de retomar o controle da Casas Bahia por meio da compra da participação do GPA na Via Varejo.

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A negociação aconteceu em um leilão na B3, ambiente onde empresas negociam ações entre investidores. Nesse tipo de operação, interessados apresentam ofertas para adquirir determinada participação acionária. A transação movimentou aproximadamente R$ 2,3 bilhões e contou também com fundos de investimento parceiros da família Klein.

Com a conclusão da operação, a família voltou a ocupar a posição de maior acionista da companhia. Em comunicado divulgado na época, Michael Klein afirmou que a estratégia seria aproximar o legado construído ao longo de décadas das novas exigências do mercado, reforçando o relacionamento com clientes, fornecedores e parceiros comerciais.

A mudança também representou o encerramento das tentativas do GPA de deixar definitivamente o segmento de eletrodomésticos, processo que vinha sendo estudado havia cerca de dois anos.

Casas Bahia foi vendida - Pão de Açúcar (Foto: Reprodução/ Internet)
Casas Bahia foi vendida – Pão de Açúcar (Foto: Reprodução/ Internet)

A retomada do controle da Casas Bahia simbolizou muito mais do que uma simples troca de acionistas. Ela representou o retorno da família fundadora ao comando de uma empresa que ajudou a transformar o varejo brasileiro.

A expectativa do mercado era de que a nova administração conduzisse uma modernização dos negócios, fortalecesse as vendas digitais e recuperasse a competitividade da companhia diante de concorrentes que cresceram rapidamente nos anos anteriores.

Mesmo após tantas mudanças, a Casas Bahia continuou sendo uma das marcas mais conhecidas do país. Sua história mostra como decisões estratégicas podem alterar completamente o rumo de uma empresa e como o retorno dos fundadores ao comando pode representar uma tentativa de resgatar valores que marcaram sua trajetória.

O negócio de R$ 2,3 bilhões entrou para a história do mercado brasileiro como uma das operações mais importantes do setor varejista e consolidou novamente a influência da família Klein sobre os rumos da Casas Bahia. A operação também demonstrou que grandes empresas podem passar por diferentes ciclos de controle sem perder a força de uma marca construída ao longo de décadas.