Chefão pede demissão da Globo, denuncia perversidade e o que estão fazendo com astro do JN: "Malandragem"

Fabricio Marta, Valéria Almeida e logo Jornal Nacional (Fotos: Reproduções / Instagram / Globo)
Fabricio Marta fala sobre demissão da Globo e o que acontece em bastidores
Fabricio Marta decidiu encerrar sua trajetória na Globo após uma sequência de acontecimentos que, segundo ele, já não combinavam com seus valores. No início do ano, a emissora o promoveu para a chefia de Produção.
De acordo com o ex-chefe de produção, a decisão ocorreu por conta de “conjunturas internas” e práticas que passou a considerar inaceitáveis da Globo.
Por meio das redes sociais, Fabricio Marta entregou os bastidores da empresa, criticou decisões da gestão e classificou algumas situações como “perversas”, além de dizer que a emissora estaria em decadência.
Fabricio Marta fala sobre demissão
Recentemente, o ex-executivo sofreu dois infartos, mas, segundo ele, a decisão de sair da Globo não teve relação direta com sua saída.
No dia 12 de março, Fabricio Marta relembrou do período em que ficou internado após seus problemas cardíacos.
Ainda no hospital, o ex-executivo comunicou sua demissão por meio de mensagens aos superiores.
De acordo com Fabricio Marta, a saída foi motivada por discordâncias profundas com os rumos da Globo.
“Tudo se deu às vésperas do Carnaval, na Redação do Jornal Nacional. Foram duas semanas de CTI e um turbilhão de pensamentos de gente que não morre”, disse o profissional, que continuou:
“O pedido [de demissão] foi feito aos meus chefes (por WhatsApp) ainda no hospital e não está atrelado aos infartos, mas a conjunturas internas que não ornavam mais com quem eu sou. Minha missão, na Globo, foi encerrada por escolhas mal dimensionadas. Pra mim, com ou sem stents, sempre valeu o escrito. Não sou moleque e muito menos signatário de atitudes incoerentes”, declarou.
Criticas a produção
O ex-chefe também criticou a forma como foi promovido na Globo já que não foi consultado sobre a mudança.
De acordo com o relato, Fabricio Marta se incomodou com a proposta de retomar a uma função que já havia exercido 15 anos antes, o que em sua visão seria um retrocesso.

Cansado de rotina
Em seguida, em outro desabafo, Fabricio Marta listou o que chamou de excessos da rotina corporativa: reuniões improdutivas, falhas de comunicação, excesso de burocracia e ambientes carregados por egos.
De acordo com o profissional, a saída da Globo representou um alívio em diversos aspectos do dia a dia.
O ex-executivo ainda revelou uma situação que reflete, em sua visão, um problema estrutural da emissora: Helton Setta, produtor do Jornal Nacional.
“Você já ouviu falar na polilalamina? Pois então, Setta acompanhou essa pesquisa por sete anos. O Fantástico exibiria uma reportagem especial sem sequer creditá-lo. O espanto partiu da fabulosa doutora Tatiana Medeiros. O tema ganhou notoriedade na imprensa mundial, mas as chefias do Jornalismo Globo foram incapazes de redigir um e-mail, que fosse, celebrando o colega”, disse o profissional, que continuou:
“Setta fala inglês, espanhol, alemão e italiano. Nunca fora convidado para qualquer função nos escritórios internacionais da Globo e, agora, a cereja: está há 10 anos sem uma promoção. Repetindo: 10 anos. Eu, como chefe de produção, jamais assinaria esse recibo”, disparou o agora ex-funcionário.
Em seguida, Fabricio Marta confessou que não gosta de trabalhar com “injustiças”.
“Ah, sabe por que o Setta não vai embora? Porque ama o que faz. Eu também amava, tenho filho, pago aluguel, mas não trabalho com injustiças. Saí por essas e outras e quantas vezes fosse preciso. Há outros muitos Settas no estoque. Daí vem a Globo e publica anúncio pra caçar talentos fora. Suco de abismo”, alfinetou ele.
Corte de horas extras
Além disso, Fabricio Marta também fez um duro desabafo sobre o corte de horas extras de produtores.
O profissional afirmou que foi encarregado de comunicar a decisão, que impactou diretamente funcionários que dependiam desse valor.
Marta classificou a situação como insensível e criticou a ausência de diálogo ou análise individual dos trabalhadores.
“A retroescavadeira cotidiana quase banalizava missões às quais não tinham nada ver com meu trabalho. Um dos ‘pedidos’ mais perversos data do fim do ano passado, quando ‘fui convidado’ a convocar produtores que ganhavam horas extras e avisá-los sobre o corte, no facão, já no mês corrente”, relatou o profissional, que continuou:
“Deixar a Globo é deixar um sistema adoecido pela falta de sensibilidade e nutrido pela malandragem! Por que não houve um comunicado oficial? Por que cada caso não fora avaliado, individualmente?”, questionou o profissional.
Saída da Globo
Mesmo com as críticas, o profissional demonstrou gratidão ao fundador da Globo, Roberto Marinho, reconhecendo a importância da emissora em sua trajetória.
No entanto, mesmo assim, Marta afirmou acreditar que o legado estaria mal conduzido.
Criticas sobre conteúdos
Além disso, o ex-executivo seguiu fazendo críticas públicas, incluindo comentário irônicos sobre conteúdos exibidos na GloboNews.
O profissional criticou a arte exibida pela GloboNews no Estúdio i que tentou associar Luiz Inácio Lula da Silva e o PT a Daniel Vorcaro e ao Banco Master.
“Contrato profissionais de PowerPoint da GloboNews para fazer meus cartões de visita. Aqui em casa já tem barbante colorido, tesoura, cartolina colorida, cola branca, hidrocor e giz de cera. Preciso mesmo é do know-how. Vai ter lanche, se a direção aprovar!”, disse o ex-funcionário.
Posicionalmente da Globo
Por fim, até o momento, a Globo não se manifestou oficialmente sobre as declarações do ex-funcionário.