Pegue um pouco de intriga, algumas colheres de humor, tempere à vontade com altas doses de romance e drama, e escolha alguém com bagagem cultural significativa para distribuir esses ingredientes e fazê-los mexer em um panelão imenso, visto por milhões de pessoas. É essa a receita de um bom folhetim açucarado, que tem por missão entreter um público ávido por boas histórias, e hoje altamente exigente e participativo, disposto a cobrar a cada minuto e a imprimir sua percepção por cada segundo de imagem.

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Hoje em dia, nomes e mais nomes se consagram, enquanto outros despontam como novos talentos dessa máquina fascinante, e controversa, chamada TELEVISÃO. E como maior produto cultural do país, as novelas ainda conseguem juntar famílias, vender revistas, gerar debates e permanecer intactas, ou quase isso, diante da invasão da Web. Pois é, as novelas não morreram, como tentaram prever os críticos. Pelo contrário, hoje elas entram na pauta dos faces, orkuts, viram tuítes, geram vídeos satíricos, provocam moda que circula nas ruas e se transformam em jargões. E, assim, a dramaturgia ainda permanece como carro-chefe da televisão brasileira, frente a outros produtos.

 Merece destaque a atual saga de autores da Rede Globo. Vemos histórias que fascinam e encantam, mesmo quando achamos que não há mais nada de novo a ser visto. “Cheias de Charme” é um excelente exemplo de como simplicidade e talento são ferramentas que fazem diferença. Com humor repleto de frescor, unido ao talento de atores e personagens carismáticos, a trama revela como é possível renovar o casting de autores e dar uma nova vida ao horário das sete.

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O trunfo dos novelistas Filipe Miguez e Isabel de Oliveira é duplo, pois não apenas conseguiram deixar a novela algo saboroso de ser visto, com hits chicletes que tocam nas ruas, como tiveram o êxito de fazer a audiência subir. Já a trama anterior, Aquele Beijo, morna e cinzenta, foi como um balde de água fria, com personagens desinteressantes, ritmo lento e texto de humor fraco. Agora, temos o prazer de ver uma história colorida e vibrante, leve como um milk shake, que narra os sonhos e as vidas dessas Marias do Lar, presentes em todas as partes do mundo.

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As protagonistas, Leandra Leal, Isabelle Drummond e Taís Araújo, se revezam e se complementam. Ao menos aparentemente, não existe rivalidade entre elas; pelo contrário: o texto favorece as três. Isso sem falar da “brabuleta” que conquistou o Brasil, com Cláudia Abreu mostrando desenvoltura para dar vida à uma personagem, cujas maldades, armações e chiliques, são ofuscados pela comicidade rasgada, arraigada em um tipo popular, que não tem vergonha de ser regional, ou regionalesco.

Enfim, é importante o reconhecimento ao trabalho de toda equipe, incluindo a direção de Denise Saraceni, que imprimiu ritmo, humor e musicalidade aos sonhos dessas Cinderelas repaginadas. As novas tendências dos inúmeros Brasis que surgem dia após dia se traduzem na telinha. Resta saber se as lições extraídas de “Cheias” serão compreendidas por outros profissionais da TV, e assim a audiência seja presenteada com histórias que valem bem mais que R$ 1,99.

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