Carta psicografada de Chorão revela sofrimento e desabafa sobre vício: "Demoníaco"
Chorão revela dor escondida em carta psicografada e descreve batalha contínua contra o vício com relato intenso que chama atenção
Chorão morreu em 2013, mas anos depois ele deixou uma carta psicografada (Reprodução - Instagram)
Chorão revela dor escondida em carta psicografada e descreve batalha contínua contra o vício com relato intenso que chama atenção
No dia 6 de março de 2013, o Brasil perdeu Alexandre Magno Abrão, o eterno Chorão. O líder do Charlie Brown Jr. morreu em seu apartamento em São Paulo. O laudo do Instituto Médico Legal (IML) confirmou a causa como overdose de cocaína.
Um ano depois, em abril de 2014, surgiu uma suposta carta psicografada do cantor. O texto descreve um cenário de dor e chama o vício de “demoníaco”. Essa mensagem circulou intensamente em páginas ligadas ao espiritismo na época.
O médium Eduardo Fructuoso recebeu a mensagem no Centro Espírita Frei Luiz, no Rio de Janeiro. Segundo o portal Mais RJ, o diretor da instituição, Nelson, autorizou a publicação do conteúdo.
Na carta, o espírito atribuído a Chorão afirma que voltou “aos quintos dos infernos”. Ele relata sofrimentos internos que nem a morte conseguiu apagar ou resolver. O texto apresenta rimas e um tom de profundo arrependimento pelas escolhas feitas em vida. Muitos fãs ficaram divididos entre a emoção e a dúvida sobre a veracidade do material.
A psicografia é um dos pilares dessa história, mas você sabe o que ela significa? O que é psicografia? É a capacidade atribuída a um médium de escrever mensagens ditadas por espíritos. O médium funciona como um instrumento, quase como um rádio ou telefone entre dois planos.
No caso de Chorão, o texto tenta reproduzir o estilo rebelde e musical do artista. Contudo, críticos apontam que o vocabulário usado parece mais um esforço para assustar do que para confortar.
O programa Visão Espírita, da TV Mundo Maior, deu grande destaque ao suposto desabafo do cantor. André Marouço, gestor da emissora, analisou o caso em uma entrevista com a apresentadora Elen Alarça. Marouço defendeu a idoneidade da casa espírita onde a mensagem apareceu. Ele afirmou que o médium é apenas um trabalhador e não deve ter orgulho pessoal.
Para o gestor, o importante é o conteúdo da mensagem e o impacto nos jovens. Ele acredita que o relato serve como um alerta contra as drogas.
Durante o programa, Marouço explicou que a espiritualidade considera Chorão um suicida. Por que ele foi chamado de suicida se a morte foi overdose? No espiritismo, o “mau uso do livre-arbítrio” que abrevia a vida é uma forma de suicídio. Mesmo que a pessoa não queira morrer, o comportamento de risco antecipa o retorno ao plano espiritual.
Por isso, a doutrina afirma que esses espíritos precisam de tratamento e “medicamento espiritual”. Essa visão gera debates sobre o julgamento moral das vítimas de dependência química.
O espiritismo se define como uma tríade: ciência, filosofia e religião. Como ciência, ele deveria testar e comprovar a autenticidade de comunicações como a de Chorão. No entanto, nenhum laboratório ou teste rigoroso avaliou se a carta era realmente do cantor. Os defensores da mensagem preferem focar no “objetivo disciplinador” do texto.
Eles acreditam que o medo das consequências pode afastar novos usuários do caminho das drogas. O perfil @professorlair questiona essa abordagem, chamando-a de “fabricação de sujeitos obedientes”.
Nem a família de Alexandre nem o Lar de Frei Luiz confirmaram oficialmente o documento. O silêncio dos parentes próximos levanta ainda mais suspeitas sobre a origem da carta. O texto diz que Chorão será, um dia, um “trabalhador de Jesus” para educar jovens.
Essa ideia faz parte da crença de que a Terra é governada por Cristo. Segundo essa lógica, todos os espíritos eventualmente servirão ao bem, independentemente do passado. A mensagem termina pedindo orações para que o espírito encontre forças na sua caminhada.
Até hoje, a carta psicografada de Chorão permanece como um mistério sem prova científica. O conteúdo reflete mais a visão de quem escreveu do que fatos comprováveis. Resta ao leitor decidir se acredita na comunicação espiritual ou se vê nela apenas um discurso religioso. A ciência espírita, por enquanto, não entregou o teste de autoria que prometeu em seus fundamentos.
O caso segue como um exemplo de como a fé e a fama se misturam. O link original com os detalhes está disponível no Instagram do Professor Lair.