"Chorei muito": Confisco da poupança no Brasil após 35 anos causa arrepio em correntistas até em 2025
Antigo confisco da poupança no Brasil após 35 anos causa arrepio em milhares de correntistas até o ano de 2025
Ilustração poupança (Foto: Canva)
Legislação proíbe que confisco da poupança volte a acontecer, mas brasileiros ainda lembram de pânico
Há 35 anos, o Brasil enfrentou um dos episódios econômicos mais traumáticos de sua história: o confisco da poupança.
Em 16 de março de 1990, o então presidente da República, Fernando Collor de Mello, anunciou o controverso Plano Collor.
Esse momento ficou marcado na memória coletiva dos brasileiros que viveram aquela época.
Inclusive, muitos ainda choram e se revoltam ao lembrar o assunto em 2025.
Mas, afinal, o que aconteceu?
O plano, cujo nome oficial era “Brasil Novo”, previa uma medida drástica: o bloqueio temporário de valores superiores a 50 mil cruzados novos (equivalentes, hoje, a cerca de R$ 8,3 mil) mantidos em cadernetas de poupança por um período de 18 meses.
Na prática, cerca de 80% dos recursos financeiros que estavam aplicados no sistema bancário foram retidos, totalizando o equivalente a US$ 100 bilhões .
Os recursos representavam cerca de 30% do Produto Interno Bruto (PIB) do país naquele momento, de acordo com o portal Exame.
Confisco da poupança
De um dia para o outro, milhões de brasileiros que passaram anos economizando viram suas economias bloqueadas, podendo acessar apenas uma parte mínima de seus recursos.
O impacto foi devastador, afetando desde pequenos poupadores até grandes investidores.
Para evitar vazamentos antes do anúncio oficial, o governo decretou um feriado bancário de três dias (14, 15 e 16 de março).
A medida provocou desconfiança, longas filas e corridas aos caixas eletrônicos em todo o país.
Além disso, o pacote econômico incluiu uma série de outras medidas radicais:
- Substituição da moeda: o cruzado novo deu lugar ao cruzeiro;
- Congelamento de preços e salários por 45 dias, como tentativa de conter a hiperinflação;
- Criação de um imposto sobre operações financeiras (o embrião da futura CPMF);
- Aumento das tarifas de serviços públicos essenciais, como energia elétrica, gás e telefonia;
- Extinção de 24 estatais;
- Demissão de cerca de 81 mil servidores públicos.
Choro de brasileiros
A jornalista Miriam Leitão, que acompanhou o plano de perto, escreveu em seu livro “Saga Brasileira: A Longa Luta de Um Povo por Sua Moeda” (2011):
“Na hora da coletiva, senti um misto de revolta e perplexidade. Sabia que aquele plano provocaria um trauma na população. No fim do dia, chorei muito. O governo cometeu uma violência econômica muito grande contra o povo brasileiro. Foi o pior dos planos econômicos já feitos no Brasil”, escreveu a jornalista.
O confisco da poupança pode acontecer novamente?
Por fim, diante do trauma deixado pelo episódio, o Congresso Nacional tomou medidas para evitar que algo parecido voltasse a ocorrer.
Em 2001, foi aprovada a Emenda Constitucional nº 32, que restringiu significativamente o uso de medidas provisórias, de acordo com o site oficial do Governo Federal.
Desde então, o artigo 62 da Constituição Federal passou a incluir um parágrafo específico que proíbe o uso de medidas provisórias para autorizar o confisco de bens, contas bancárias, poupança popular ou quaisquer outros ativos financeiros.
Desse modo, legalmente, a possibilidade de um novo confisco nos moldes de 1990 está afastada — garantindo mais segurança jurídica e financeira para os brasileiros.
Considerações finais
Em suma, embora já tenham se passado 35 anos desde o confisco da poupança, ocorrido durante o Plano Collor, o episódio ainda emociona e faz muitos brasileiros chorarem ao relembrá-lo. No entanto, a legislação atual proíbe que algo semelhante volte a acontecer.
Veja mais informações sobre a poupança clicando aqui.
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