Inflamação, alergia e câncer: Riscos à saúde de usar extensões de cílios
Cílios com alongamento estético exigem atenção redobrada após médicos alertarem para inflamações, reações alérgicas e possíveis complicações
Extensão de cílios (Foto: Canva)
Cílios com alongamento estético exigem atenção redobrada após médicos alertarem para inflamações, reações alérgicas e possíveis complicações
Inflamação, alergia e até risco de exposição a substâncias cancerígenas. O que parecia apenas mais uma tendência no universo da beleza acabou entrando no radar de médicos, pesquisadores e especialistas em saúde ocular. Nos últimos meses, relatos de mulheres que desenvolveram irritações severas, infecções, vermelhidão intensa e até lesões na córnea após colocarem extensões de cílios chamaram atenção dentro e fora do Brasil.
O procedimento, que promete entregar um olhar mais marcante e dispensar o uso diário de máscara para cílios, ganhou força em salões de beleza, clínicas estéticas e até atendimentos domiciliares. Porém, por trás do resultado visual que costuma agradar, existe uma discussão séria sobre segurança.
Estudos recentes, artigos médicos e oftalmologistas passaram a alertar que a aplicação inadequada, o uso de colas de origem duvidosa ou a falta de higiene durante o procedimento podem abrir caminho para complicações importantes. Em alguns casos, o problema não ficou restrito a uma simples irritação. Pacientes precisaram procurar atendimento emergencial após desenvolverem dor intensa, dificuldade para abrir os olhos, lacrimejamento constante e sensibilidade extrema à luz.
O debate cresceu depois que novas análises apontaram que parte das colas utilizadas no mercado libera formaldeído, substância reconhecida internacionalmente por seu potencial cancerígeno quando existe exposição recorrente. Isso colocou milhares de consumidoras em alerta e reacendeu uma pergunta importante: até onde vale a pena arriscar a saúde dos olhos em nome da estética?
Antes de entender os riscos, vale explicar um ponto que muita gente desconhece: os cílios naturais não existem apenas por estética. Eles exercem uma função biológica fundamental para a proteção ocular. Esses fios ajudam a bloquear poeira, partículas suspensas no ar, pequenas impurezas, micro-organismos e até excesso de vento que poderia atingir diretamente a superfície ocular.
Além disso, quando algo se aproxima dos olhos, os cílios ativam reflexos automáticos de piscar, protegendo estruturas extremamente delicadas. Quando uma extensão é colocada sobre os fios naturais, esse equilíbrio pode mudar. O peso extra, a cola química e a manipulação constante podem alterar a estrutura dos folículos, que são pequenas cavidades na pele onde os fios nascem. Se esse folículo sofre dano repetido, o crescimento natural dos cílios pode enfraquecer ou, em situações mais graves, parar de acontecer em algumas áreas.
Especialistas também explicam que a região das pálpebras possui glândulas responsáveis pela produção de componentes da lágrima, que mantêm o olho lubrificado e protegido. Quando a extensão interfere nesse funcionamento, o olho pode ficar mais seco, irritado e vulnerável a inflamações.
Um dos problemas mais comuns associados ao procedimento atende pelo nome de blefarite. O que é blefarite? Trata-se de uma inflamação nas pálpebras que provoca vermelhidão, coceira, sensação de areia nos olhos e, em alguns casos, formação de secreção.
A condição pode surgir quando resíduos de cola, maquiagem ou sujeira se acumulam na base dos cílios. Como muitas pessoas evitam lavar a região por medo de danificar a extensão, bactérias encontram um ambiente favorável para se multiplicar.
Cuidados ao fazer a extensãao dos cílios
Outro risco frequente envolve as reações alérgicas. Mesmo quando o teste de sensibilidade acontece antes da aplicação, isso não elimina totalmente a possibilidade de reação posterior. Algumas substâncias presentes na cola podem irritar a pele fina das pálpebras ou a própria superfície ocular. Em casos mais intensos, a pessoa pode desenvolver inchaço, ardência, vermelhidão e dificuldade para abrir os olhos.
Também existem registros de ceratoconjuntivite. O nome parece técnico, mas a explicação é simples. A condição combina inflamação da córnea com inflamação da conjuntiva, que é a membrana transparente que cobre a parte branca dos olhos. Quando isso acontece, a dor pode ser intensa e a visão pode ficar temporariamente prejudicada.
Outro ponto que levantou preocupação entre pesquisadores envolve o formaldeído. O que é formaldeído? Trata-se de uma substância química utilizada em diferentes processos industriais e que, segundo órgãos internacionais de saúde, pode apresentar potencial cancerígeno quando existe exposição repetida ou prolongada.
Um estudo citado por especialistas testou 37 colas usadas em extensões de cílios e encontrou liberação de formaldeído em boa parte dos produtos analisados, inclusive em colas profissionais. Em alguns casos, a substância nem aparecia claramente na composição do produto.
A falta de higiene durante o procedimento também preocupa médicos. Pinças, escovas e materiais reutilizados sem esterilização adequada podem facilitar a transferência de bactérias, fungos e até ácaros microscópicos conhecidos como Demodex. Esses micro-organismos vivem naturalmente na pele de muitas pessoas, mas quando se multiplicam em excesso, podem provocar inflamações e desconforto.
A remoção das extensões também exige atenção. Mesmo quando realizada por profissionais, o processo pode enfraquecer os fios naturais, provocar quebra ou arrancar cílios saudáveis junto com os fios artificiais. Com o uso frequente, algumas pessoas relatam falhas permanentes.
Especialistas ouvidos por publicações médicas e revistas de saúde reforçam que quem decide fazer o procedimento deve observar sinais como dor, ardência, sensibilidade à luz, secreção, vermelhidão persistente ou sensação de corpo estranho. Se qualquer um desses sintomas aparecer, a recomendação é interromper o uso e procurar avaliação com um médico oftalmologista, profissional especializado em saúde dos olhos.
A extensão de cílios continua popular e não deve desaparecer tão cedo do mercado da beleza. Porém, os novos estudos mostram que o procedimento está longe de ser apenas estético. Entre alergias, inflamações, lesões e exposição química, a decisão de alongar os fios naturais passou a exigir mais informação, mais critério e, principalmente, mais cuidado com algo que nenhuma tendência pode substituir: a saúde da visão.
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