Com atores de teatro, "É Tudo Improviso" perde fôlego cômico
CRÍTICA DA FOLHA
O programa “É Tudo Improviso”, exibido pela Bandeirantes, nasceu com uma dose de êxito.
Seu apresentador, Márcio Ballas, foi um dos criadores do espetáculo teatral “Jogando no Quintal” (2002), em que dois times de atores, como num jogo de futebol, disputavam improvisações sob apitos de um juiz.
Depois de sete temporadas com sucesso de público, parte dos integrantes desse espetáculo migrou para a TV, especificamente seu cocriador, César Gouvêa, e o ator Marco Gonçalves.
Juntaram-se ao grupo Guilherme Tomé e as atrizes Cristiane Werson e Mariana Armellini, fundadoras do coletivo humorístico “As Olívias” –só de mulheres.
Em sua terceira temporada, esse “programa que não tem nada preparado” apresenta vários jogos cômicos a partir de regras rigorosas.
JOGADORES
Os “jogadores” são identificados por características cômicas. Cristiane é a “rainha das mal amadas”, César “não entende nada, mas é feliz” e assim por diante. Tomam, então, seus lugares para a maratona de improviso.
A cada quadro, legendas apontam na tela o método que rege a brincadeira. No primeiro, “A Plateia Faz o Cenário”, Kleston foi o sorteado do público na última segunda para subir ao palco e se transformar em objetos, contracenando com os atores.
Passou por tijolo, saco de cimento, carrinho de mão e outros desafios que culminaram em piada maliciosa final. Seguindo essa linha de inclusão do público nas esquetes, “Uma Palavra Solta Para Ajudar” nasce de um relato de brigas de um casal da plateia em que a esposa é viciada em sapatos. Os atores entram em cena simulando uma discussão que reproduz esta mesma situação, incluindo palavras desconectadas que lhes são jogadas.
A diversão brota da maneira vertiginosa com que os atores incorporam o inesperado nos diálogos, além de alguns resultarem em escrachos absurdos como “eu vou botar a ‘córnea’ em você”.
O humor pautado em perspicácia verbal persiste na sequência, um duelo entre os atores em que todas as frases devem terminar com uma pergunta. Aqui a palavra “gravata” transforma-se rapidamente em um tipo de massa ou na cidade gaúcha de Gravataí.
Os lampejos de graça, no entanto, desaparecem com a mesma rapidez que os atores perdem a energia. Rita Cadillac cai de paraquedas em cena longa e cansativa. Na rodada final, o desafio para os improvisadores é segurar o riso para não levar uma torta na cara, esforço contrário ao do espectador a essa altura do campeonato.
NA TV
É Tudo Improviso
Terceira temporada
QUANDO segunda-feira, às 22h45, na Bandeirantes
CLASSIFICAÇÃO não informada
AVALIAÇÃO regular
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