
Programa tem medo de sair das matérias de drama e perder a audiência
Quando Geraldo Luís estava prestes a deixar o “Balanço Geral SP” e ir para o “Domingo Show”, houve rumores de que o novo programa seria um tipo de “Balanço”, só que aos domingos. Se não me engano, essa informação saiu da boca do próprio apresentador.
Claro que não daria para em pleno domingo de manhã fazer um programa jornalístico, até porque eles enchem a grade de programação da Record. Me refiro a tirar uma das principais características do “Balanço Geral” e colocar no “Domingo Show”: As matérias especiais.
Geraldo Luís e o “Balanço” ganharam destaque, principalmente nos primeiros anos do programa em 2007, justamente por exibir aquelas matérias, especialmente as de mistério. De certa forma, as matérias acabaram indo para o “Domingo Show”, mas somente as que retratam dramas. Nada contra esse tipo de matéria, até porque a maioria do público gosta, o problema é exibi-las toda semana.
O que acontece é que a produção do programa usou a estratégia que é de praxe na televisão: “Vamos fazer isso, se der audiência a gente continua com ela no próximo e no próximo programa, até o público se cansar”. Não precisa nem falar que esse tipo de estratégia é péssima e desgastante, mas é o que acontece com o “Domingo Show”. Na estreia, a matéria mostrando o drama de Gil Gomes rendeu bons índices, e então as matérias do gênero continuam até hoje. Neste próximo domingo (22), por exemplo, vai ao ar uma matéria mostrando o drama do comediante Russo, que por sinal, já havia concedido uma entrevista para o “Pânico” semanas antes.
O “Domingo Show” tem realmente que ir ao ar com inovações, para tentar fugir das mesmices da TV. As matérias de mistério que iam ao ar no “Balanço Geral” também podem render bons índices, e se tornarem inéditas na televisão aberta em rede nacional. Não precisa ser necessariamente reportagens de “fantasmas”, mas “histórias vivas do Brasil”, como o próprio Geraldo costuma chamar. Muita gente no início criticava esse tipo de matéria por passar em dias úteis da semana e em um programa jornalístico, só que agora indo ao ar aos domingos, não há como ter controvérsias, e é importante tentar.
Reportagens desse gênero é realmente o que viria a ser uma inovação na TV. Geraldo vai aos poucos perdendo o título de contador de histórias do Brasil e vai ganhando outro: O apresentador que só retrata dramas. Da forma em que está, o programa vai aos poucos se tornando monótono, a audiência pode até discordar disso, mas se tratando de conteúdo, isso pode se tornar um fato, e as consequências podem surgir em breve.
As opiniões aqui retratadas não refletem necessariamente a posição do TV FOCO e são de total responsabilidade de seu idealizador.
