Morte repentina do protagonista de “O Primeiro Amor” em 1972 chocou o país e gerou uma das lendas mais assustadoras da cultura popular brasileira
Imagine o Brasil parando em frente à TV, não para assistir ao último capítulo da novela das sete, mas para tentar decifrar um boato macabro que parecia saído de um filme de terror. Pois é, no inverno de 1972, o país inteiro entrou em choque com a partida repentina de Sérgio Cardoso, o galã mais imponente da TV Globo.
Contudo, o luto nacional rapidamente deu lugar a um sussurro assustador que correu as ruas.
O boato de que o ator teria sido enterrado vivo e despertado na escuridão do túmulo tornou o luto em uma das lendas urbanas mais perturbadoras da cultura pop brasileira.
Porém, não foi apenas uma história de fantasmas, mas uma mentira avassaladora que transformou a dor de uma família em um pesadelo público por décadas.

Uma morte do mais absoluto nada
No dia 18 de agosto de 1972, aos 47 anos, o astro absoluto faleceu de forma abrupta no Rio de Janeiro.
Absoluto, pois vivia o ápice de sua trajetória na Globo, onde brilhava como o professor Luciano, protagonista da novela das sete O Primeiro Amor.
Leia também
Vítima de um infarto miocárdico fulminante em sua própria residência, o artista não resistiu e partiu antes de receber socorro médico.
No entanto, a morte súbita de Sérgio Cardoso instaurou uma crise logística e emocional sem precedentes nos estúdios da emissora.
Faltando exatos 28 capítulos para o término de O Primeiro Amor, a direção precisou tomar uma decisão urgente e inédita na televisão brasileira.
A direção da novela convocou o ator Leonardo Villar, amigo pessoal de Sérgio desde os tempos de teatro, para substituí-lo no papel principal.
Inclusive, essa transição foi eternizada de maneira poética:
Sérgio Cardoso saía de cena por uma porta e Leonardo Villar entrava pelo mesmo cenário segundos depois, assumindo o personagem em uma homenagem comovente.
A lenda aterrorizante
De acordo com o portal Terra, pouco tempo após o sepultamento, que arrastou mais de 15 mil pessoas ao Cemitério São João Batista, começaram a circular boatos infundados de que o ator sofria de catalepsia.
Essa condição médica rara é caracterizada pela rigidez dos membros e pela diminuição extrema dos sinais vitais, fazendo com que o paciente pareça clinicamente morto.
A narrativa da crendice popular afirmava falsamente que a família teria solicitado a exumação do corpo dias depois.
Segundo o boato espalhado na época por um jornal de Manaus, os peritos teriam encontrado o corpo virado de bruços, com arranhões na tampa de madeira e unhas gastas pelo desespero.
Mas Sérgio Cardoso foi mesmo enterrado vivo?
Durante décadas, a viúva do ator, a renomada atriz Nydia Lícia, e a filha do casal, Sylvia Cardoso, traçaram uma batalha pública exaustiva para desmentir a farsa.
A polêmica ganhou força em novembro de 1979, quando o tabelião Manoel Olegário da Costa afirmou ao programa Fantástico, da Globo, que Sérgio Cardoso nutria em vida um pavor profundo e confidencial de ser enterrado vivo.
Embora o comentário sobre o medo psicológico tenha alimentado a imaginação popular, a família agiu rápido para restabelecer a verdade.
Na mesma reportagem, Nydia Lícia foi categórica ao esclarecer a mentira cruel:
“Sérgio nunca teve catalepsia, certeza absoluta. Não somente jamais manifestou algum sintoma de doença nervosa no período em que estivemos casados, nem depois. Ele morreu de um ataque cardíaco fulminante, constatado por médicos. O caixão nunca foi aberto.”
Mas, para saber sobre outras curiosidades de bastidor, clique aqui*.
Tópicos nesse artigo:
Autor(a):
Lennita Lee
Jornalista com formação em Moda pela Universidade Anhembi Morumbi e experiência em reportagens sobre economia e programas sociais. Com olhar atento e escrita precisa, atua na produção de conteúdo informativo sobre os principais acontecimentos do cenário econômico e os impactos de benefícios governamentais na vida dos brasileiros. Apaixonada por dramaturgia e bastidores da televisão, Lennita acompanha de perto as movimentações nas principais emissoras do país, além de grandes produções latino-americanas e internacionais. A arte, em suas múltiplas expressões, sempre foi sua principal fonte de inspiração e motivação profissional.



