Se na cidade do Rio de Janeiro faz 40 graus, lá na Macaca a temperatura está, pelo menos, uns 10 graus acima. A geografia do lugar ajuda, claro. Mas o que ferve mesmo é o sangue quente de seus moradores. Tudo começa pela rainha do morro, Adisabeba (Susana Vieira). Foi dela o olhar empreendedor que fez dessa comunidade um lugar onde se vive com qualidade. A Macaca é um morro que deu certo. É onde muita gente gosta de morar.
Há anos Adisabeba entendeu que aquele pedaço de terra era ideal para se construir imóveis para alugar. Dinheiro não faltou para que fossem erguidas pequenas casas e espaços comerciais, como lojas, barbearias, açougues, padarias… Adisabeba faz questão de receber pessoalmente os aluguéis, tudo na mais perfeita ordem – porque ninguém gosta de ficar em dívida com a rainha do morro.
Mas um lugar em especial salta aos olhos de quem chega na Macaca. É o hostel de Adisabeba. E bem ao lado, está a Caverna da Macaca, a boate onde asfalto e morro se encontram e as diferenças convivem ao som de funk, rap, pop, samba, jazz. A boate é um negócio muito bem-sucedido, que nasceu da cabeça e do esforço de Tóia (Vanessa Giácomo). Foi ela quem idealizou o local e suas festas. É ela quem faz acontecer o “fervo” por lá. Tóia é uma espécie de gerente e promoter da Caverna da Macaca. Mas sonha em se tornar sócia de Adisabeba um dia.

Tóia (Vanessa Giácomo) e Juliano (Cauã Reymond)
(Foto: Globo/João Cotta)
Tóia ama o que faz. É uma jovem mulher cheia de energia. Firme, lutadora e trabalhadeira. Ela vive com a mãe adotiva, Djanira (Cássia Kis), mas está a um passo de começar uma vida ao lado do amor de sua vida, seu noivo, Juliano (Cauã Reymond). Ele, por sua vez, dedicava-se a ensinar artes marciais para a molecada do morro. E o objetivo não era apenas formar atletas, mas sim, afastar esses meninos do crime. Juliano já ajudou mais de 40 jovens. Um trabalho interrompido com sua prisão.
Esse episódio – o da prisão – mexe demais com a moral de Juliano. Quando retorna ao Morro da Macaca, ele está sem credibilidade. Afinal, como um homem é preso por porte de drogas e pretende tirar crianças do tráfico? Juliano sabe – e não teme – que tem um árduo trabalho pela frente. Mas é firme em seus propósitos, que incluem provar que seu pai, Zé Maria (Tony Ramos), que vive foragido, não é um criminoso como a polícia e grande parte da sociedade julgam. Juliano sabe que existe uma facção criminosa que precisa ser desmantelada – a falange. Foi ela a responsável pela sua injusta prisão. Juliano tem sede de justiça.
A regra é seduzir
Adisabeba é uma mulher que apresenta muita segurança quando o assunto é a sua vida amorosa. Ela namora o jovem Abner (Danilo Tavares) e não esconde esse relacionamento de ninguém. Aliás, ela também não esconde que foi apaixonada por Zé Maria (Tony Ramos), com quem chegou a ficar junto no passado. Esse romance só foi interrompido quando ele se encantou por Djanira (Cássia Kis) e abandou a rainha do morro.
Se a Macaca tem uma rainha, o príncipe da comunidade é seu filho, Mc Merlô (Juliano Cazarré). Cantor de funk, ele é, sempre, a principal atração da Caverna da Macaca. E manda bem nos palcos, o qual divide com as dançarinas Alisson (Letícia Lima) e Ninfa (Roberta Rodrigues). O problema é que seu coração também se divide entre as duas. Uma disputa amorosa cheia de confusão, que ganha reforço por conta do ciúme maternal de Adisabeba. Para ela, Merlô ainda é o seu menininho e não deve se enrabichar com ninguém, muito menos com essas duas mulheres com quem ele não terá nenhum futuro.
Um pouco mais adiante, andando pelas ruas e vielas da Macaca, é possível chegar à casa de Indira (Cris Vianna) e Oziel (Fábio Lago), onde a paixão ainda está bem viva. Ela é estilista e tem sua loja de roupas. Ele tem uma agência de turismo. Eles são pais de quatro crianças e vivem com um certo conforto. Claro, o dinheiro às vezes aperta um pouco, afinal são seis bocas para alimentar e vestir, mas ambos são bem-sucedidos no que fazem. Indira é o exemplo da mulher moderna, dona do próprio nariz, que se faz respeitar dentro e fora de casa.
O contraponto, no Morro da Macaca, de Indira é Domingas (Maeve Jinkings), mulher submissa e que ainda vive sob as rédeas de um marido machista, controlador e que não a respeita. Ela é casada com Juca (Oswaldo Mil) e paga caro para não viver com o rótulo de solteirona.

