CRÍTICA : Originalidade não é posto. Divã não ousa, é ótimo

01/05/2011 às 17:13 · Tempo de leitura: 3 minutos

 

Entre as estreias da temporada, “Macho man” é, de longe, a mais original. Especialistas em duplas/casais, Fernanda Young e Alexandre Machado sabem, como ninguém na TV, discutir uma relação. De novo, eles estão surpreendendo com narrativas que eventualmente ignoram o verossímil e ainda assim levam o público a se identificar com as situações propostas. Inovar é bom, mas apresentar algo inédito não representa um valor em si. Por isso, nem tudo o que surpreende é uma beleza, como “Macho man”. Já abordei esse tema antes, dando como exemplo “Os mutantes”, na Record. De uma certa forma, aquela novela foi uma novidade. Novidade sim, mas sem qualidade.

Tudo isso para falar de “Divã”, que também é ótimo, mas por razões opostas. A obra de Martha Medeiros foi um notável sucesso editorial, teatral e cinematográfico. Agora, agrada na TV. A personagem central, Mercedes (Lilia Cabral), leva uma vida bem banal. É cinquentona, divorciada, tem dois filhos e uma carreira que anda bem. Mercedes diz frases como: “A realidade é mesmo implacável”; “Se eu soubesse que os homens têm mãe, jamais tinha tido caso com eles” (quando o filho arruma uma namorada da idade dela); “Às vezes, a vida parece um turbilhão” (depois de aplicar uns beijos num garotão); “A idade está na cabeça da gente” (para a amiga da mesma faixa etária). E por aí vai.

A chave do sucesso está no excelente trabalho do elenco, na direção mais que competente de José Alvarenga Jr. e, claro, no fato de o público feminino se enxergar em Mercedes. Não porque “Divã” seja sinalizador de algum comportamento avançado, diferentão, de vanguarda etc. O programa não causa, nem de longe, o estranhamento que provocou “Malu mulher”, em 1980. O boom da psicanálise aqui no Brasil — um dos temas desta história — foi nos anos 70/80. Mulheres divorciadas e independentes, donas de uma carreira, já existem há várias gerações. A série faz um retrato realista (e às vezes romantizado) da trivialidade. Talvez por isso, quando gravaram em Nova York, escolheram as locações mais chavões. Essa produção reúne, com brilho, muitos deles: frases feitas, clichês, um certo acervo de autoajuda. Nada revolucionário, mas temas que, parece, as pessoas gostam de ver reiterados no vídeo

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