A RedeTV! anunciou a última “proeza” de Daniel Zuckerman, o Impostor do “Pânico na TV”: ele penetrou no funeral de Amy Winehouse. A exibição da reportagem completa está prevista para o domingo que vem, mas o “TV fama” já mostrou uma prévia. Sua apresentadora, Flávia Noronha, anunciou assim o que chamou de “façanha”: “A dupla (Zukerman foi acompanhado de André Machado, editor do ‘Pânico’). estava de preto e até de quipá (o solidéu usado por judeus). Eles encenaram estar muito emocionados. Foram tão convincentes que acabaram sendo entrevistados por uma televisão alemã”. A apresentadora encerrou qualificando Machado de “comparsa” de Zukerman. Imagina-se que, para o “TV fama”, “comparsa” seja algo positivo, talvez até imprescindível para a realização de “façanhas”. No vídeo, Zukerman aparece dando sua entrevista com ar contricto. Outro disfarce, agora involuntário, o ajuda: seu inglês macarrônico some, graças ao voice over da narradora alemã.
Fãs de Amy Winehouse protestaram nas redes sociais. Fiquei matutando: qual será mesmo a graça de infiltrar-se numa cerimônia fúnebre, misturar-se a pessoas de luto e se fazer passar por um amigo? O filósofo francês Henri Bergson, em seu ensaio “O riso”, discorre sobre o fato de que é possível extrair humor das máscaras sociais, das regras de comportamento obrigatórias em situações coletivas como um casamento, ou um funeral. Basta destoar para que o ridículo dos comportamentos convencionados fique evidente. Teria sido esta a intenção de Zukerman — embaralhar a etiqueta sisuda dos funerais — para o “Pânico”? Desconfio que não. Humor refinado não é para entrões. O máximo que ele consegue é sair do sereno.
Há quem defenda que pelo riso vale tudo. Num lugar ideal, deveria mesmo ser assim. Porém, na prática, sabemos que o bom senso tem um papel importante. Gente boa do ramo já se arriscou para além do razoável e se deu mal, magoando, ofendendo e, pior: sem, com isso, conseguir uma boa piada. Se o humor pode tudo é um tema para reflexão. Mas aqui a pergunta que se coloca é outra: o que o “Pânico” fez tem graça?
Patrícia Kogut