Crítica: Tem gente desaparecida em “Amor à Vida”

07/08/2013 às 17:45 · Tempo de leitura: 3 minutos

Novela tem personagens que pouco aparecem

Na época de “Salve Jorge”, a modinha era ficar reclamando do sumiço de muitos personagens. No entanto, “Amor à Vida” está aí seguindo os passos da antecessora e desaparecendo com alguns membros do elenco.

Em “Salve Jorge” o número de desaparecidos foi tão grande que quase os fãs da novela penduraram cartazes na frente da Cinelândia em busca de pistas. Alguns como Dália (Eva Todor) e Caíque (Duda Nagle) conseguiram fugir das sombras e reaparecem no último mês da novela após meses de sumiço (Dália, então, só reapareceu em uma cena durante a morte do personagem de Stenio Garcia e depois sumiu). Já Miro (André Gonçalves) não teve tanta sorte assim e nunca mais reapareceu nos últimos quatro meses de novela, causando comoção de muitos veículos.

“Amor à Vida” apareceu com o intuito de colocar uma pedra nesse passado pantanoso do pequeno fracasso de Gloria Perez, porém começou a cometer alguns erros semelhantes. Glorinha era conhecida como um cabide de empregos na Globo, e sua novela ultrapassou os cem personagens (80% subaproveitado, logicamente), porém Walcyr Carrasco não está longe disso. Segundo o site oficial da novela, “Amor à Vida” conta atualmente com 76 personagens, e a divisão de cenas entre eles não anda justa.

Embora o autor tenha dito que “Amor à Vida” ia funcionar como em um seriado, com os atores fazendo rodízios de acordo com o exigido pela história, é fato que alguns personagens menos importantes ficam um bom tempo sem aparecer. A tia Priscila (Cristina Mutarelli) havia aparecido pela última vez no dia 25 de junho, e ficou sumida da trama até seu retorno no capítulo de seis de agosto (para uma cena de nada, vale dizer).

Outra que está sumida, embora presente, é Gina (Carolina Kasting). A personagem não tem muita função além de ser uma samambaia chorona posicionada sempre no fundo das cenas do núcleo pobre da novela. Acredito que até o mecânico da Márcia (Elizabeth Savalla) tenha mais falas que a personagem injustiçada.

Uma lição que os autores não conseguem aprender é como gerenciar a história com poucos personagens, uma lição dominada brilhantemente por autores como João Emanuel Carneiro e Walther Negrão.

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