CRÍTICA/‘Chegadas e partidas’: impossível não se identificar

22/05/2011 às 15:18 · Tempo de leitura: 2 minutos

Há ótimas novidades no GNT, mas, de todas, “Chegadas e partidas” é definitivamente a mais interessante com sua mistura de emoção, pesquisa antropológica e, como tudo mais no canal, acabamento. Diferentemente daquele modelão-pílulas que está dominando a programação em 2011, esta é uma atração encorpada, ambiciosa, com um recado humanista.

No último episódio, Astrid Fontenelle encostou em Vera Lúcia, que esperava o desembarque do neto de 13 anos, Wesley. Ele vinha de uma temporada de um mês na casa do pai em Curitiba. Dosando muito bem o tom — entre o assertivo e a doçura necessária a uma conversa delicada —, Astrid foi avançando na sua entrevista. Vera contou que cria Wesley desde bebê: a mãe dele, sua nora, morreu de câncer e foi cuidada por ela até o último dia de vida. O menino preferiu morar com a avó a se mudar para Curitiba, onde o pai estava instalado já com outra família. Uma história de amor muito bonita. Tão bonita quanto a que se seguiu, de uma mulher que aguardava a filha que vive em Montreal. A moça vinha se despedir da avó, muito mal no hospital.

Entre uma e outra entrevista, há uma espécie de clipe com cenas de reencontros ao som de um inspirado suplemento musical. É nesta hora que o programa faz um retrato maior da nossa cultura. A câmera se coloca à distância de cada história particular para mostrar um comportamento comum a todos: o de beijar e abraçar efusivamente quem fica e quem vai. Impossível não se identificar com aquilo.

Tomara que venham outras temporadas.

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