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Em “Lara com Z”, os autores, Aguinaldo Silva e Maria Elisa Berredo, não quiseram fazer de Susana Vieira a clássica Lady MacBeth de Shakespeare, nem poderiam. Mas funcionou bem a referência, pois Lara tem mesmo uma ambição desmedida, alguma maldade, mas muito humor: é uma tragédia com perfume de comédia. Diferentemente de “Cinquentinha” — que originou este seriado e era estrelado por várias atrizes — aqui todas as doses de estrogênio e o foco das atenções estão em Susana. Sem querer desmerecer as outras, o movimento beneficiou a produção, que pôde explorar mais a trama central.
Lara Romero é uma veterana que enfrenta o precipício da decadência com coragem. Esse abismo apareceu representado de maneira literal logo na primeira cena, com a personagem ameaçando se jogar do alto de um teatro. A história começou de trás para a frente e correu cheia de ritmo. Aqui é preciso fazer uma observação fundamental: com 35 minutos de produção (sem contar os comerciais), “Lara com Z” escapou dos formatos breves demais que andam prejudicando a linha de shows da Globo. Para o leitor ter uma ideia, “Tapas & beijos” ocupou 29 minutos, “Batendo ponto”, 27 e “A grande família”, 30. Cada minuto em TV é muito. Com tempo suficiente, o capítulo de estreia do seriado ganhou envergadura e não deixou a impressão de ter terminado sem cumprir sua missão de apresentar a história e os personagens.
Susana é Lara, é Lady MacBeth e até Elza Soares, que canta “Perigosa” na vinheta de abertura. Entregue aos papéis e disposta a se expor, a atriz fez jus à aposta dos autores, que criaram o seriado para ela. Eliane Giardini, mesmo num personagem secundário, se destacou (como sempre). Wolf Maya, o diretor, surgiu em cena com ótima química com Susana. Guilherme Weber, o MacBeth derrotado, apareceu pouco, mas fez bonito, o mesmo vale para Dalton Vigh. A boa surpresa foi Humberto Martins, o desavisado que acabou no palco.
Susana Vieira divertiu como a Lady MacBeth que evoca o tempo todo os “deuses do teatro” enquanto encena uma peça com fama de almadiçoada. Pelo visto, Aguinaldo e Wolf não têm medo de maldições. Fazem eles muito bem.

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