"Linguiça azeda e rançosa": Denúncia obriga Vigilância a interditar supermercado popular em RS

Vigilância Sanitária interdita supermercado por vender carnes e linguiças podres (Foto Reprodução/Montagem/Lennita/TV Foco/Canva/GMN)
Supermercado em Lomba Grande é interditado com 302kg de carne clandestina; Vigilância age após denúncia
A segurança alimentar dos moradores de Novo Hamburgo passou por um teste no dia 10 de outubro de 2025, quando uma operação conjunta desarticulou um esquema de venda e produção de alimentos impróprios para consumo.
De acordo com o portal oficial da Prefeitura de Novo Hamburgo, a Vigilância em Saúde, a qual traz a Vigilância Sanitária do município como componente, interditou um supermercado no bairro Lomba Grande, resultando na:
- Apreensão de uma quantidade significativa de carne sem procedência;
- Confirmando denúncias graves sobre a qualidade dos produtos ofertados à população.
Além disso, uma denúncia anônima encaminhada ao Ministério Público (MP) deflagrou a ação, alertando para a produção irregular de embutidos em condições insalubres.
A operação ainda contou com a força-tarefa da:
- Vigilância em Saúde da Prefeitura;
- Secretaria Estadual de Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi);
- Polícia Civil.
Uma cena de horror!
Ao chegarem ao local, situado na área central de Lomba Grande, os fiscais encontraram um cenário que confirmava os piores receios da denúncia.
O estabelecimento operava uma linha de produção clandestina de linguiças em uma sala escondida atrás de um bar, longe dos olhos dos clientes e das normas sanitárias.
O resultado material da operação foi a apreensão imediata de 302 quilos de carne. De acordo com os agentes, o material apresentava uma série de violações críticas:
- Armazenamento precário: As carnes estavam guardadas em condições inadequadas de higiene e temperatura, favorecendo a proliferação de bactérias;
- Contaminação direta: Encontraram peças de carne jogadas diretamente ao chão, em contato com a sujeira ambiente;
- Ausência de Rastreabilidade: Os produtos não possuíam qualquer identificação, rotulagem ou selo de inspeção, tornando impossível verificar a origem ou a data de validade.
“Azedas e rançosas”
A investigação preliminar aponta que a carne utilizada na fabricação das linguiças, descritas na denúncia original como “azedas e rançosas”, provinha de animais abatidos em uma chácara sem nenhum controle sanitário.
O abate clandestino é um dos maiores vetores de doenças zoonóticas (transmitidas de animais para humanos) e intoxicações alimentares graves.
A médica veterinária e responsável técnica da Vigilância em Saúde, Julyana Sthéfanie Simões Matos, destacou que o caso agora será apurado pela Polícia Civil.
Por fim, os responsáveis pelo estabelecimento tiveram que responder por crime contra as relações de consumo, além de diversas infrações administrativas sanitárias estaduais e federais.
Não é de hoje
Este não é um caso isolado em 2025. A região de Lomba Grande já havia sido palco de uma operação similar em 9 de maio, quando aproximadamente duas toneladas de carne sem procedência foram apreendidas.
A recorrência acende um alerta vermelho para a fiscalização e para os consumidores locais.
Todo o material recolhido ficou sob responsabilidade do governo do Estado para o descarte adequado, seguindo protocolos que garantem que esses alimentos nocivos não retornem, de forma alguma, à mesa do consumidor.
Como saber se um açougue/supermercado é seguro?
No entanto, a Vigilância em Saúde reforça que a população deve estar atenta.
- Carnes e derivados só devem ser adquiridos se possuírem o selo de inspeção (municipal, estadual ou federal);
- Preços muito abaixo do mercado, cor alterada, cheiro forte ou armazenamento precário são sinais claros de perigo.
Ou seja, se você presenciar falta de higiene, produtos vencidos ou suspeitar de abate clandestino, não se cale.
Afinal de contas, a sua denúncia pode evitar que outras pessoas adoeçam; Veja como agir:
- Fale imediatamente com a Ouvidoria Geral do seu Município para relatar irregularidades sanitárias de forma rápida;
- Envie mensagem via WhatsApp: Para denúncias mais detalhadas, inclusive com envio de fotos ou localização, utilize o contato da Ouvidoria da Saúde pelo número (51) 99831-6500;
- Denúncia anônima garantida: Em ambos os canais, e também junto ao Ministério Público, você tem o direito de manter o anonimato. O importante é fornecer o máximo de detalhes possível (nome do local, endereço e qual é a irregularidade) para que a fiscalização possa agir com precisão.
Mas, para saber mais informações da ANVISA/Vigilância Sanitária, clique aqui*.