É polêmico falar sobre propagandas de bebidas alcoólicas em programas destinados ao público jovem, mas como também é polêmico o programa que as mostra, vou entrar no assunto. Neste domingo vimos um Pânico amigo, gente rindo, brincando com o telespectador, fazendo todos participarem no twitter, aproximando a moçada dos apresentadores. Tudo muito certo. Vamos criando afinidades, eles se tornam como nossos amigos, vamos jogando um pouco de confiança na palavra deles. Um pouco, apenas.
E vem a propaganda, e nela eles continuam com seu sorriso e jeito amigável, só que diante de uma garrafa de rum. E vem outra propaganda, sorriso, alegria, amizade acompanhados de cerveja. Não bastando, e agora não é propaganda, para nos fazer rir, um dos personagens diz estar borrifando veneno no rosto. Vai adiante, tira os óculos e salienta: agora sem proteção para os olhos. Mais adiante vem o Arregão, onde eles se mutilam para nos fazer riso. Eu não ri. Nem as pessoas na sala. Rimos quando entrou o jeito ingênuo da Sabrina ou quando o Boris nos deu diversos boa noite, mas nos exemplos acima, não rimos um segundo. Nos olhamos, achamos um abuso, pensamos sobre as pessoas que são influenciadas pelo programa, que compram os produtos só por que foram recomendados pelo pessoal do Pânico.
Gente fina, este pessoal. Trocaram a confiança depositada pelo público jovem pelo dinheiro. Isso sem falar na visita feita a uma mantenedora de crianças com câncer. Nada errado, mas isso logo após a Babi ter cortado todo o cabelo. Quando alguém corta o cabelo em solidariedade a um amigo ou parente com câncer, muito bem, certíssimo, belo, porém quando o corte é feito por outras razões e eles visitam criancinhas em tal situação, sentimos que a brincadeira do programa foi posta em lugar errado. Torçamos para que a intenção seja chamar a atenção da população, provavelmente tenha sido esta, mas quando lembramos que eles falam sobre bebida alcoólica para os adolescentes, começamos a nos sentir ingênuos por procurar algo bem intencionado nas atitudes do pessoal risonho e amigo do Pânico.
Porém continuo sendo otimista, continuo pensando que há boa intenção nisso tudo. No fundo, no fundo, usando minha experiência, creio que muitos destes adolescentes que estão vendo o sorriso amigo nestas propagandas farão parte de péssimas estatísticas sobre acidentes e drogas muito em breve. O mais interessante é que este sorrisinho amigo me faz lembrar o de políticos em época de eleição, quando sorriem na nossa frente para nos extorquir quando eleitos.
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