Fábrica nº 1 em calçados, mesmo após ter sua recuperação judicial encerrada, ainda luta contra falência devido a dívidas trabalhistas e incertezas

E uma das mais tradicionais fábricas do setor calçadista gaúcho ainda enfrenta luta contra a falência, mesmo após concluir a recuperação judicial, devido a dívidas milionárias trabalhistas.

Continua depois da publicidade

Trata-se da Paquetá, nº 1 da região, a qual anunciou no dia 07 de março de 2025 o encerramento definitivo de suas atividades produtivas.

A decisão encerra a crise financeira iniciada em 2019 com o pedido de recuperação judicial, concluída em novembro de 2023.

Continua depois da publicidade

Vale destacar que ela permaneceu em atividades, mesmo diante das dificuldades financeiras. No entanto, tais dívidas ainda a deixam na “corda bamba”…

Com base nessas informações, bem como detalhes expostos no portal GZH e Terra, a equipe especializada em economia do TV Foco traz um parâmetro completo dessa decisão.

Imagem do post
Fábrica da calçadista Paquetá (Foto Reprodução/Internet)

Fim de uma era:

Ainda com dívidas trabalhistas em salários atrasados, as quais somam R$ 80 milhões, segundo o Sindicato dos Sapateiros de Sapiranga e Região, a empresa concentra esforços na venda de seu parque industrial para quitar parte de suas obrigações.

Continua depois da publicidade

A Paquetá mantinha até então uma pequena linha de produção em Sapiranga, no Vale do Paranhana, com um número reduzido de funcionários.

Fábrica Paquetá se esforça em liquidar os débitos trabalhistas e ainda luta contra falência diante de crise (Foto Reprodução/GZH)
Fábrica Paquetá se esforça em liquidar os débitos trabalhistas e ainda luta contra falência diante de crise (Foto Reprodução/GZH)

Nos últimos meses, a empresa havia se desfeito de fábricas no Nordeste, repassando algumas para outros grupos e vendendo outras, em uma tentativa de reestruturação para evitar o colapso.

Veja abaixo a cronologia completa dos fatos:

  • 2019: A Paquetá entra com pedido de recuperação judicial, citando um passivo de R$ 638,5 milhões. A empresa alegou dificuldades financeiras agravadas pela concorrência internacional e pela queda nas vendas no mercado interno.
  • 2020-2023: Durante o processo de recuperação judicial, a empresa tentou se reestruturar encerrando operações, fechando unidades menos rentáveis e reduzindo custos, o que foi cumprido em novembro de 2023, conforme podem ver por aqui*.

Inclusive, à época, a empresa chegou a fazer o seguinte anúncio no dia 14 de novembro:

Continua depois da publicidade

“Neste último sábado, 11/11, foi declarada encerrada a recuperação judicial da Paquetá, em razão de terem sido integralmente cumpridas as obrigações vencidas nos dois anos que se seguiram à homologação do seu plano de recuperação judicial.

Com isto se tem por superada mais uma etapa da reestruturação do negócio Paquetá, o que não significa, portanto, que a empresa eliminou definitivamente as dificuldades por que vem passando nos últimos anos.

Este é sem dúvida um importante marco que indica a sua capacidade de vencer obstáculos.
E, com o cumprimento dessas obrigações, a Paquetá Calçados continua trabalhando fortemente em seus processos de reestruturação.”

  • 2024: A Paquetá vende parte de suas fábricas no Nordeste, repassando algumas para outros grupos e liquidando outras. A empresa mantém apenas uma linha de produção em Sapiranga.
  • Março de 2025: A empresa anuncia o encerramento definitivo de suas atividades produtivas, concentrando esforços na venda do parque industrial para pagar credores.

Em nota à GZH, o diretor-executivo Eurico Tatsch Nunes enfatizou que as negociações incluíram a manutenção dos empregos.

Acrescentou ainda a possibilidade de uma retomada de produção na unidade que segue aberta: “uma retomada gradativa da operação, de acordo com as perspectivas de mercado”.

Mas a Fábrica Paquetá ainda corre o risco de falir de vez?

Conforme exposto acima, apesar de a Paquetá ter encerrado o plano de recuperação judicial em 2023 e ter evitado a falência, a princípio, a luta continua. 

Afinal de contas, a empresa ainda enfrenta dificuldades financeiras e o futuro da marca é incerto. O que resta é esperar pelos próximos desdobramentos.

De acordo com o portal Terra, com o encerramento da produção, o futuro da marca e de seus ativos permanece incerto.

A empresa mantém apenas uma linha de produção em Sapiranga (Foto Reprodução/Diário do Nordeste)
A empresa mantém apenas uma linha de produção em Sapiranga (Foto Reprodução/Diário do Nordeste)

A expectativa é que a venda da estrutura industrial ajude a reduzir as dívidas, mas ainda não há informações sobre possíveis compradores.

Enquanto isso, ex-funcionários e credores aguardam uma solução definitiva para o impasse financeiro do grupo.

Não foram encontradas manifestações extras da empresa sobre o caso, no entanto, o espaço permanece aberto.

Conclusão:

O encerramento das atividades da Paquetá marca o fim de uma era para o setor calçadista gaúcho.

Enquanto a empresa tenta liquidar seus ativos para pagar credores, ex-funcionários e a comunidade local aguardam soluções que minimizem os impactos sociais e econômicos da decisão.

A crise da Paquetá serve como um alerta para os desafios estruturais que ainda precisam ser enfrentados pela indústria nacional.

Mas, para mais informações sobre outras empresas e até mesmo falências declaradas, clique aqui*.