Digimais é alvo de operação e gera dúvidas sobre uma possível intervenção do Banco Central
O Banco Digimas, instituição financeira ligada ao bispo Edir Macedo, fundador da Igreja Universal do Reino de Deus, passou a ser alvo de questionamentos diante de sua delicada situação financeira.
A preocupação aumentou após a agência de classificação de risco Fitch divulgar um relatório que apontou risco de insolvência da instituição.
O cenário levantou dúvidas sobre uma possível intervenção do Banco Central e até sobre a chance de uma possível liquidação extrajudicial.
A liquidação extrajudicial é uma medida adotada pelo Banco Central quando uma instituição financeira não tem mais condições de operar de forma segura ou de cumprir suas obrigações.
Nessa situação, o banco deixa de funcionar normalmente e passa por um processo de encerramento supervisionado pela autoridade monetária.
Nesta matéria, você saberá:
- Qual é o banco ligado a Edir Macedo que enfrenta pressão financeira
- O Que pode levar o Banco Central a decretar uma liquidação extrajudicial
- O que a Polícia Federal investiga no caso
Negociação com BTG Pactual perdeu força
Até agora, o Banco Central não anunciou uma intervenção no Digimais. Um dos fatores que teria adiado uma decisão seria a tentativa de venda da instituição, segundo o portal PlatoBR.
Em abril, Edir Macedo e o BTG Pactual, controlado pelo banqueiro André Esteves, assinaram um acordo preliminar para a compra do Digimais.
Porém, as negociações teriam perdido força. O negócio dependeria de um empréstimo-ponte do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e da autorização do Banco Central.
Sem esses avanços, a operação não deve ser concluída.

Operação da Polícia Federal aumenta pressão sore Digimais
A situação do Digimais ganhou novos contornos após uma operação da Polícia Federal envolvendo a instituição.
Segundo informações da CNN, a investigação elevou a pressão sobre o banco e pode influenciar em uma eventual decisão do Banco Central.
A autoridade monetária conduziu um processo interno e teria identificado possíveis irregularidades cometidas por gestores do Digimais.
Entre os pontos analisados estariam manobras contábeis e o descumprimento de medidas corretivas determinadas pelo Banco Central.
Os resultados da fiscalização teriam sido compartilhados com a Polícia Federal e ajudado a embasar a investigação.
PF apura suspeita de superavaliação de ativos
Segundo a Polícia Federal, a diretoria do Digimais teria adotado práticas semelhantes às investigações no caso do Banco Master.
A suspeita é de que ativos tenham sido superavaliados por meio da emissão de títulos com rentabilidades consideradas incompatíveis com os indicadores de mercado.
O objetivo, segundo a investigação, seria esconder dos órgãos de controle a deterioração de carteiras de crédito.
O Banco Central teria identificado irregularidades em reavaliações patrimoniais ainda em 2023.
A autoridade ainda determinou que algumas receitas fossem revertidas para que o valor das cotas retornasse ao custo original de aquisição, estimado em R$ 71 milhões.

Contrato com controladora é citado
Ainda segundo a Polícia Federal, o Digimais pediu que o impacto contábil da reversão fosse parcelado ao longo de cinco anos.
Mesmo após a determinação do Banco Central, o banco teria firmado um contrato de compra e venda a prazo de cotas de fundos com sua controladora.
O acordo teria sido fechado pelo valor total de R$ 741 milhões, mas sem entrada imediata de recursos no caixa da instituição.
O pagamento estaria previsto apenas para 2032, além de prever a reversão de provisões que haviam sido exigidas pelo Banco Central.
Partes ainda não se pronunciaram sobre o assunto
Até o momento, o Banco Central não se pronunciou sobre o assunto, nem mesmo a instituição ligada Edir Macedo. Porém, o espaço permanece aberto para posicionamentos de ambas partes.

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