Elize Matsunaga: A carta enviada pela criminosa à sua filha com Marcos

Elize Matsunaga enviou uma carta para a filha com Marcos antes de desaparecer dos holofotes e o conteúdo voltou a chamar a atenção

25/06/2026 às 23:55 · Tempo de leitura: 7 minutos

Elize Matsunaga (Foto: Divulgação)

Elize Matsunaga enviou uma carta para a filha com Marcos antes de desaparecer dos holofotes e o conteúdo voltou a chamar a atenção anos depois

O caso envolvendo Elize Matsunaga ganhou grande repercussão no Brasil desde 2012, quando ocorreu o crime que levou à morte do empresário Marcos Matsunaga. Anos depois da condenação e da permanência no sistema prisional, a história passou a ser marcada também por tentativas de comunicação entre mãe e filha, especialmente por meio de cartas escritas dentro da prisão.

Nesse contexto, uma das manifestações mais conhecidas é uma carta direcionada à filha do casal, que ainda era criança na época do crime e passou a ser criada pelos avós paternos. Mesmo após deixar a prisão em regime fechado, a distância entre mãe e filha permaneceu como um dos pontos mais sensíveis da trajetória de Elize Matsunaga, já que o contato direto segue restrito por decisões judiciais e por conflitos familiares que se intensificaram ao longo dos anos.

Elize Matsunaga antes e depois (Foto: Reprodução/Globo)

A carta escrita por Elize Matsunaga foi produzida dentro da Penitenciária de Tremembé em 2016, período em que ela ainda cumpria pena em regime fechado e vivia sem qualquer contato com a filha. No texto, ela iniciou falando sobre o crescimento da menina e imaginando como a vida dela havia mudado ao longo dos anos. Ela descreveu a filha como uma criança que estaria descobrindo o mundo, aprendendo novas palavras e enfrentando desafios naturais da infância, mesmo sem a presença materna.

Ao longo da carta, Elize Matsunaga afirmou que enviava amor “em pensamento” todos os dias e expressava desejo de que a filha se tornasse uma mulher forte, capaz de superar as dificuldades impostas pela história familiar. A carta também trouxe um tom de despedida emocional, já que ela reconheceu que talvez não tivesse oportunidade de acompanhar de perto o crescimento da menina.

Dentro do conteúdo da carta, Elize Matsunaga reforçou repetidamente o sentimento de amor pela filha e afirmou que esse vínculo não teria sido interrompido, mesmo com a separação física e a proibição de contato. Ela escreveu que o amor de mãe permanecia vivo e que continuava presente na vida da criança de forma simbólica, ainda que não houvesse convivência.

Em outro trecho, ela disse que desejava um dia poder conversar com a filha para explicar o que aconteceu no passado, sugerindo que a história das duas carregava complexidade e dor. Essa tentativa de comunicação, no entanto, sempre ocorreu dentro de um contexto jurídico rígido, já que o contato direto foi proibido por decisão da Justiça, o que manteve a relação restrita a documentos e possíveis futuras leituras quando a filha se tornasse adulta.

A carta também refletiu a tentativa de Elize Matsunaga de construir uma narrativa emocional sobre o próprio passado e sobre o crime que cometeu. Em alguns momentos, ela expressou arrependimento e pediu perdão, embora sem detalhar novamente os acontecimentos do crime dentro do texto específico da carta. O foco principal permaneceu na relação com a filha e na ideia de preservação de um vínculo afetivo, mesmo diante da separação definitiva imposta pela prisão.

Esse tipo de comunicação se tornou parte de um conjunto maior de registros escritos por ela, que mais tarde também foram incorporados a materiais autobiográficos e manuscritos desenvolvidos dentro da penitenciária.

Elize Matsunaga com sua filha ainda recém-nascida – Foto Internet

Mesmo após a saída de Elize Matsunaga da prisão em regime fechado, a situação da relação com a filha continuou sem grandes mudanças práticas. Ela passou a cumprir restrições legais e permaneceu impedida de estabelecer contato direto com a menina.

Ao mesmo tempo, a disputa pela convivência com a filha se intensificou em diferentes momentos, com manifestações públicas e tentativas de reaproximação sendo discutidas dentro e fora do ambiente jurídico. Esse cenário reforçou como a carta não representou apenas um gesto isolado, mas parte de uma trajetória contínua de tentativa de comunicação que nunca se concretizou plenamente.

Elize Matsunaga (Foto: Reprodução)

A leitura da carta mostra como Elize Matsunaga tentou reconstruir, por meio da escrita, um elo que foi rompido por decisões judiciais e pelas consequências do crime. O texto revela uma tentativa de projetar futuro, imaginar o crescimento da filha e manter viva uma forma de presença materna simbólica.

Ao mesmo tempo, também expõe a distância irreversível criada entre as duas vidas, marcada por um crime que mudou completamente a estrutura familiar. A carta, nesse sentido, não funciona apenas como um documento emocional, mas como registro de uma relação interrompida e de um passado que segue influenciando o presente.

A história de Elize Matsunaga continua sendo acompanhada por diferentes versões, documentos e interpretações, mas a carta à filha permanece como um dos elementos mais simbólicos dessa trajetória, justamente por concentrar sentimentos de ausência, tentativa de perdão e impossibilidade de convivência direta em um único texto.

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