
Consuelo rejeitou os temas sérios abordados por Dira Paes (Foto: Divulgação)
Os autores de “Babilônia” continuam inconformados com o fracasso de audiência e repercussão que a novela das nove vem sofrendo e tenta, a todo custo, colocar a culpa de todos os problemas no público que rejeitou a trama, por motivos de uma história fraca e sem sustentação.
No capítulo desta terça-feira (21), mais uma vez, a personagem Consuelo (Arlete Salles) foi usada para ironizar esse público, na cena da gravação do seu programa de entrevistas, o “Puro Chiquê”, que contou com um bate-papo com a atriz Dira Paes, que atuou na pele dela mesma.
Na história, Dira tenta dar à conversa um rumo inteligente, falando sobre as dificuldades de uma gravidez na adolescência. Fútil, Consuelo a recrimina e dispara: “Corta, corta, corta. Não dá audiência, entendeu? É uma coisa muito realista. O povo não quer saber de coisas complicadas”.
“Vamos falar de coisas agradáveis, por favor?”, diz a inescrupulosa, dando a entender que o público não gosta de temas sérios (como os que a novela das nove aborda) e prefere a “futilidade” que as demais novelas têm a oferecer, tanto nos outros canais quanto na própria Globo.
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E a cena termina com Dira se retirando com classe, aviltada pelo jeito grosseirão de Consuelo que preferia saber quem é o ator com o pior hálito que a atriz já teria beijado. Para os autores de “Babilônia”, a baixa audiência da novela se deve ao fato de temas muito duros e espinhosos.
Eles não levam em consideração os problemas estruturais graves que causaram a empatia do público desde o início, como personagens rasos, falta de humor e ausência de uma história que se pudesse acompanhar com interesse, como aponta uma matéria da revista Veja.
A direção da emissora, por sua vez, afirma que o público rejeitou a novela por causa do beijo lésbico entre as personagens de Fernanda Montenegro (Teresa) e Nathalia Timberg (Estela), a prostituição de Alice (Sophie Charlotte) e as cenas quentes de Beatriz, personagem de Glória Pires.
Gilberto Braga, Ricardo Linhares e João Ximenes Braga, autores de “Babilônia”, não levam em conta a boa recepção de “Verdades Secretas”, de Walcyr Carrasco, que conta com drogas, prostituição e vários personagens gays. Apesar de tudo isso, a trama mantém um público fiel no horário das 23h.
O diferencial entre uma e a outra é que o folhetim das onze tem uma história sólida e personagens mais interessantes. Por conta disso, na audiência, ela já chegou a empatar com “Babilônia” na audiência e a boa repercussão é inquestionável, mesmo em um horário mais difícil, com nada ao seu favor.

