
(Foto: Divulgação)
O ex-chefão da Globo, Boni, está há anos fastado da direção da emissora. Engana-se, porém, quem acha que isso é motivo que impeça-o de opinar sobre a televisão atual. Boni, que é dono de uma das afiliadas do canal carioca, falou o que acha do jornalismo atual em entrevista exclusiva para a revista IstoÉ.
Ao ser questionado sobre o motivo da constante queda de audiência de jornais como o “Jornal Nacional”, ele foi enfático na resposta: “Estão errando. Nos Estados Unidos, os telejornais são diários oficiais. O sujeito viu algo na internet, mas ele não confia totalmente, quer ter certeza se é verdade e busca a televisão”.
Boni deu um exemplo: “Aqui, o cara assiste o JN na intenção de saber o que aconteceu na greve do Espírito Santo, mas a reportagem entrevista um sujeito envolvido, a mulher que estava não sei onde, a filha da mulher… O espectador não aguenta. Ele só quer saber se é verdade ou não. O JN teria que ser só para confirmar”.
O ex-diretor da Globo ainda sugeriu que o “aprofundamento” ficasse por conta de outros programas: “A opinião e o aprofundamento da notícia ficariam para outros produtos, como o Jornal da Globo, que não devia ser tão tarde, e programas de entrevistas, que estão faltando. Sabe qual é o problema? Perderam o ponto final”.
Ainda sobre o assunto, Boni opina que no Brasil se especula muito ao passar uma notícia, e que o mais importante não é um assunto tratado por muito tempo, e sim vários assuntos tratados de maneira resumida. Ele ainda deu o exemplo do jornalismo americano, que considera o modelo ideal:
“Os jornais americanos têm um apresentador só. Sabe por quê? Para evitar sorrisinhos, perda de tempo. Não tem matéria sobre o (Donald) Trump que chegue a falar se ele pinta o cabelo, se engoma, quem é o cabeleireiro dele. Não dá para fazer esse troço, não dá”.
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