Emissoras apostam no uso da internet para atrair audiência

01/05/2011 às 11:21 · Tempo de leitura: 6 minutos
Emissoras investem cada vez mais no conteúdo online
Foto: Afonso Carlos/ Carta Z Notícias/Divulgação

por Márcio Maio
Terra

Computadores, tablets, celulares e outros dispositivos são os atrativos da era virtual que ameaçam – e muito – o reinado da televisão. Por isso, várias emissoras buscam formas de atrair o público da rede para a TV e – por que não? – vice-versa.

“A importância da internet cresce a uma velocidade impressionante em nosso país. Cada vez mais os brasileiros procuram na banda larga novas formas de interação e conteúdos diferenciados”, analisa Renata Abravanel, diretora de projetos de novas mídias e do site do SBT.

A emissora de Sílvio Santos firmou, recentemente, parceria com a Sony, lançando um canal de serviço de vídeos transmitidos pela internet. Os arquivos podem ser vistos no Sony Bravia Internet Video, disponível nos aparelhos Sony com conexão à internet, entre eles, televisores e blu-ray players.

A MTV também pode ser vista fora da tevê, inclusive ao vivo. A emissora conta com diversos aplicativos disponíveis para download, como o MTV ao Vivo, que transmite a sua programação, em tempo real, em iPods, iPhones e alguns modelos de celulares da marca Nokia. E ainda com o serviço de vídeo pela internet MTV On Demand e a plataforma de jornalismo transmídia MTV News, que atraem mais jovens para o portal da rede. Isso sem contar na interação de vários programas com os internautas, através das redes sociais.

“A MTV foi a primeira emissora a se preocupar com integração em redes sociais na internet. Até porque o nosso público já está inserido nesse meio desde que nasceu. E isso só faz alavancar nossa programação”, defende Zico Góes, diretor de programação da MTV, que estabeleceu recentemente parceria exclusiva com a Twitcam, abrindo a possibilidade do público jovem oferecer vídeos na web que podem chegar a ser exibidos na TV.

A Globo também estabelece parcerias importantes no ambiente virtual, mas a prioridade agora é valorizar as afiliadas e, de quebra, seu portal Globo.com. A emissora já lançou portais regionais da Bahia, Paraná, Rio de Janeiro, São Paulo, Brasília e Minas Gerais. E a previsão é terminar o ano com mais seis, todos atuando em parceria com as emissoras de cada estado e com o portal G1. “Vivemos cada vez mais uma era multimídia. Já investimos em canais fechados e portais há algum tempo e a tendência é inserir a Globo cada vez nesse conceito”, explica Octávio Florisbal, diretor geral da emissora. Dessa forma, ampliam-se também as possibilidades de anunciantes e patrocinadores locais, o que gera mais renda para a rede e suas afiliadas.

Mas a proposta da Globo não se justifica apenas pela tendência da internet. Na verdade, o interesse tem fundamentação econômica. “As regiões vão crescer cada vez mais. Nos próximos cinco, 10 anos, elas vão representar PIBs maiores que países de economia média. Nossa meta é chegarmos a todos os estados assim”, planeja Florisbal.

Marcelo Tas também quer alcançar e dar voz a todas as regiões do Brasil. E usa o CQC 3.0 para isso. Todas as segundas, após a exibição do CQC – Custe O Que Custar, na Band, os apresentadores interagem com o público da web no site http://cqc.band.com.br/cqc30aovivo. Alguns deles conseguem até aparecer no programa virtual, através de uma webcam e do software Skype. “O projeto começou pequeno e bateu todos os recordes de transmídia das emissoras brasileiras. Chegamos a ter 200 mil pessoas online nas transmissões do CQC, mais de 20 vezes o recorde das outras emissoras. Nossa média de audiência é 50 mil”, garante Tas. Vale ressaltar que Rafinha Bastos, apresentador do programa ao lado de Tas e Marco Luque, foi eleito recentemente, pelo jornal The New York Times, a personalidade mais influente do Twitter no mundo.

Em tempo real

Muitos defendem que o número de pessoas que navegam na internet enquanto assistem TV cresce sem parar. Isso justifica o aumento na participação da internet e das redes sociais em programas ao vivo, caso do Mais Você e do reality show Big Brother Brasil, na Globo, e do Acesso, Rockgol e Adnet ao Vivo, na MTV. Uma alternativa que, além de prender a atenção do telespectador, também serve como espécie de termômetro para saber se um assunto está funcionando ou não no ar. “O nosso espaço para atender o público da web vem crescendo sempre. Aqui, as pessoas sugerem, reclamam, elogiam, enfim, elas realmente participam”, valoriza Zico Góes.

Na Record, com o lançamento em março da novela adolescente Rebelde, Margareth Boury passou a frequentar ainda mais as redes sociais. E já trabalha uma forma de aproveitá-las em favor de seus personagens. Tanto que a autora pretende fazer com que os alunos do fictício do colégio Elite Way passem a interagir com os telespectadores na mesma hora em que as cenas vão ao ar. Atualmente, a novela já conta com um Twitter oficial que indica, inclusive, onde assistir ao capítulo do dia poucas horas depois de sua exibição. “A gente tem de ir aonde o jovem está”, simplifica Margareth.

Instantâneas

– A quinta temporada de Malhação ganhou o nome de Malhação ao Vivo. Apresentada por André Marques em 1998, essa fase da série contava com participações de telespectadores através de telefone e internet. O projeto durou pouco tempo, já que a grande rede não era tão popularizada no Brasil naquela época

– A Globo já oferece aplicativos para celulares de algumas de suas novelas. Os usuários conferem fotos, vídeos e resumos de capítulos nos aparelhos online

– Além de investir em portais, a Globo pretende aumentar sua atenção com um novo mercado que surge: dos tablets

– Nos intervalos e ao final do Fantástico, Patrícia Poeta e Zeca Camargo costumam interagir com internautas por meio do site do programa da Globo

 

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