Enterrado vivo? Relato sobre sertanejo com arranhões no caixão e gritaria assusta o Brasil

Sertanejo morre e lenda de que foi enterrado vivo assusta brasileiros (Foto Reprodução/Montagem/TV Foco/Canva/GMN/YouTube)
Descubra o mistério por trás da morte de Aladim (Alan & Aladim) em 1992 e o que a lenda dos “arranhões no caixão” e “gritaria” revela sobre a doença que imita a morte
A década de 80 foi a que mais trouxe viradas na música sertaneja. Guitarras, sintetizadores e baterias eletrônicas dividiram o espaço com a viola e a sanfona, dando uma nova cara ao gênero.
Nesta época, o cenário deu grande projeção a duplas como Leandro & Leonardo, Zezé di Camargo & Luciano, Gian & Giovanni, João Paulo & Daniel e Chrystian & Ralf, entre tantas outras.
A dupla Alan & Aladim fez parte daquele momento com o mesmo perfil, migrando do sertanejo “raiz” para uma pegada mais moderna.
A dupla lançou o álbum Alan e Aladim e a parceria estourou em 1987, trazendo o sucesso “Liguei pra dizer que te amo”. Especialistas estimam que o disco vendeu quase 2 milhões de cópias.
Contudo, a morte de Aladim interrompeu a trajetória da dupla em 1992.
José Nascimento Cardoso, seu nome real, morreu prematuramente aos 35 anos. A partir dali, Edmilson Fernandes Machado, o Alan, manteve a dupla com outros parceiros. Desde 2012, Zailton Oliveira integra a formação da dupla Alan & Alladin.
Contudo, sua morte trouxe um fato assustador devido a um episódio misterioso com ares de lenda, que aterrorizou milhares de brasileiros com a ideia de que Aladim teria sido enterrado vivo.
Isso porque, no dia seguinte, as pessoas viram sinais de luta na urna, alimentando a lenda dos arranhões no caixão e da gritaria noturna.
Mas o que será que aconteceu de fato? Com base em dados históricos e um artigo da Band, trazemos abaixo mais sobre a dupla e essa morte que até hoje causa calafrios e assusta o Brasil.
Uma nova música sertaneja
Na década de 70, José buscava a carreira na música sertaneja, tocando como apoio de diversas duplas – entre elas, João Mineiro & Marciano. Em 1976, ele conheceu Edmílson em um festival. A parceria nasceu assim, e o primeiro disco veio em 1981: Alan e Aladim, gravado pela CBS.
“A mudança promoveu a modernização, a entrada das guitarras – Leandro & Leonardo, Zezé di Camargo & Luciano, que já vinham com João Mineiro & Marciano também. O cenário criou uma nova roupagem da música sertaneja, saindo daquela coisa da viola. Eles entraram aí nesse vácuo, inclusive com a própria ajuda de João Mineiro & Marciano” – Descreveu Jones Mendes, apresentador do programa Coração Sertanejo na rádio Nativa FM.
A dupla precisou de alguns anos de trabalho até que o sucesso bateu à porta nos versos de “Liguei pra dizer que te amo”. A faixa do quarto álbum da dupla, também chamado Alan e Aladim, colocou a parceria em um novo patamar na música sertaneja, entre os protagonistas de um momento de mudança do gênero.
Alan e Aladim desempenharam um papel significativo no desenvolvimento e popularização do sertanejo romântico.
A dupla surgiu num momento em que a música sertaneja passava por transformações significativas.
Originalmente, influências de outros gêneros musicais urbanizaram a música sertaneja, incorporando elementos mais modernos, conforme exposto por uma série de análises entre críticos e jornalistas.
Nos anos 1990, Alan e Aladim consolidaram-se como um dos maiores nomes da música sertaneja. Eles venderam milhões de discos e lotaram shows por todo o país, conquistando o carinho do público e se tornando referência para diversas gerações de artistas.
Uma morte misteriosa
Durante uma turnê de shows em 1992, porém, Aladim começou a se queixar de dificuldades para mastigar e engolir alimentos. Ele tomou medicamentos para aliviar as dores, mas não teve sucesso. Ele decidiu voltar a Mogi das Cruzes (SP), onde morava, para buscar cuidados médicos.
Internado no Hospital Ipiranga, Aladim precisou passar por uma cirurgia de amígdalas. No entanto, ao ser medicado, ele sofreu um choque anafilático – uma grave reação alérgica. O quadro evoluiu para uma parada cardíaca.
Aladim morreu em 1º de outubro de 1992, aos 35 anos, conforme citamos acima.
Eles o enterraram no dia seguinte no Cemitério da Saudade, também em Mogi das Cruzes.
Os jornais deram pouco destaque à morte e os poucos registros da época se concentraram em obituários e pequenas notas.
No fim, o tempo limitou a formação original de Alan & Aladim, impedindo que ela se consolidasse entre os grandes nomes da música sertaneja na época.
Desconfianças
De acordo com o portal Band, enquanto Aladim voltava a Mogi das Cruzes em busca de tratamento, Alan ia a Itaituba (PA) para fazer um show com um substituto na formação da dupla.
Ao chegar a São Paulo, o empresário informou Alan que a situação de saúde do companheiro estava muito ruim.
Alan dirigiu de carro a Mogi das Cruzes para visitar o parceiro de dupla. A caminho da cidade, ele ouviu em uma rádio a notícia da morte de Aladim.
Alan logo percebeu uma série de circunstâncias incômodas. Em 2003, durante entrevista ao programa Sabadaço, da Band, o cantor abordou desconfianças a respeito do sepultamento do companheiro.
“No dia do velório (…), eles não o enterraram naquele dia. Ele deveria ter sido enterrado naquele dia, mas, como a noite avançou, um funcionário do cemitério não quis lacrar o túmulo naquele dia, preferindo deixar para outro dia. Algumas fãs voltaram no outro dia para acompanhar o enterro, disseram que ele estava em uma outra posição, mas que a mãe e o pai não quiseram mexer” – Teorizou ele.
Ainda de acordo com ele, o próprio médico aconselhou a mãe a não mexer, porque ela não gostaria do que veria.
Essa suspeita, alimentada pelo medo da catalepsia, plantou a semente da lenda de que ele teria tentado sair do caixão, associando-a aos rumores de arranhões e gritaria.
Na ocasião, o médico que atendeu Aladim em 1992 disse ao programa não temer que o cantor tivesse sido enterrado vivo e assegurou que “ele morreu de fato”.
Indo atrás de respostas:
A reportagem da Band chegou a visitar o Cemitério da Saudade. Nos arredores da sepultura de Aladim, apenas um coveiro fazia o trabalho de rotina. No túmulo, os familiares gravaram as datas de nascimento e falecimento do cantor em uma placa com a mensagem: “saudades dos familiares”.
Ao procurar a Prefeitura de Mogi das Cruzes, ela não informou se havia registros de exumação da sepultura de Aladim.
A Prefeitura apenas confirmou, sem muitos detalhes, o sepultamento no Cemitério da Saudade.
A administração local comunicou ainda que “os interessados deveriam obter mais informações junto à família”.
Mas, o que de fato aconteceu com Aladim?
No entanto, os rumores a respeito de Aladim apontam para um caso de catalepsia, uma condição médica que limita os movimentos e a fala ou, em casos mais graves, até mesmo a respiração.
A doença é uma condição médica ou sintoma que caracteriza a rigidez corporal e a perda total do controle voluntário dos movimentos.
Mas, em seu estado mais grave, a crise cataléptica pode exibir sinais vitais extremamente lentos, como respiração fraca e pulso quase imperceptível. Este estado de paralisia muscular imita externamente a morte.
Historicamente, antes da medicina moderna e dos métodos rigorosos para atestar o óbito (como eletrocardiogramas), a catalepsia representava um risco real de sepultamento prematuro.
No caso de Aladim, o boato construiu a lenda sobre a possibilidade de que o cantor, debilitado após o choque anafilático e a parada cardíaca, entrasse em um estado cataléptico profundo.
Assim, eles o teriam declarado erroneamente morto e, consequentemente, o teriam enterrado vivo.
A ausência de autópsia e a natureza “mal contada” do falecimento criaram o cenário perfeito para que esse folclore do sertanejo com arranhões no caixão e a gritaria noturna permanecessem no imaginário de milhares.
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